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Iêmen tem maior crise de fome das últimas décadas, afirma ONU

Bloqueio da Arábia Saudita impede entrega de ajuda humanitária

9 NOV 2017
Globo
12h16min
Foto: Abdo Hyder / AFP

O Iêmen enfrenta uma fome em massa que afetará milhões de vidas se a coalizão liderada pela Arábia Saudita não pôr fim ao seu bloqueio, permitindo a entrega de ajuda ao país, alertou nesta quarta-feira (8) o chefe de ajuda das Nações Unidas.

Mark Lowcock, subsecretário-geral de assuntos humanitários da ONU, disse que a menos que voltem a abrir as fronteiras para os envios de ajuda, "será a maior fome que o mundo viu em muitas décadas, com milhões de vítimas".

O funcionário da ONU falou com jornalistas depois de informar ao Conselho de Segurança durante uma sessão a portas fechadas sobre a crise no Iêmen, onde a coalizão tem feito uma campanha militar contra os rebeldes huthis desde março de 2015.

Lowcock disse ao Conselho que os voos humanitários da ONU devem ser retomados em Sana, capital tomada pelos rebeldes, e na cidade de Aden, controlada pelo governo.

Afirmou que deve ter "acesso imediato a todos os portos marítimos" para as entregas de combustível, alimentos e outros mantimentos vitais, assim como garantias de parte da coalizão de que não haverá mais alterações.

A coalizão fechou as fronteiras do Iêmen e suspendeu as entregas de ajuda na segunda-feira em resposta a um ataque com mísseis dos rebeldes huthis que foi interceptado perto do aeroporto de Riad.

As Nações Unidas, que já haviam alertado que o Iêmen vive a maior crise humanitária do mundo, lembraram que a situação já era "catastrófica" no país.

Pouco depois dessa advertência de Lowcock, o Conselho de Segurança solicitou à coalizão que abrisse todos os portos e aeroportos do país para a entrega de ajuda humanitária, segundo o embaixador italiano Sebastiano Cardi, encarregado da presidência do organismo.

Durante uma reunião convocada a pedido da Suécia, os 15 membros do Conselho expressaram sua preocupação pela "catastrófica situação humanitária do Iêmen", disse Cardi.

Cerca de 17 milhões de iemenitas têm uma necessidade desesperada de alimentos e sete milhões correm o risco de passar fome e contrair cólera.

Na terça-feira, um carregamento de pastilhas de cloro da Cruz Vermelha, que são usadas para a prevenção do cólera, foi bloqueado na fronteira norte do Iêmen, informou o organismo.

A coalizão militar árabe liderada pela Arábia Saudita interveio no Iêmen em março de 2015 para apoiar o presidente Abedrabbo Mansour Hadi depois que os huthis o obrigaram a se exiliar.

 

 

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