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Mulher acusa hospital de discriminação após decidir dar o filho para adoção

Ela foi alvo de comentários e apontamentos, mas denunciou situação

5 OUT 2017
Liziane Berrocal com G1-RJ
08h53min

“Não quer o filho, não aborta, vai e doa”. “Ai, para que deixar na porta de alguém, essa desalmada, por que não deu para adoção?”.

Foi isso que uma mulher no Rio de Janeiro resolveu fazer. Ela decidiu doar o filho para adoção. Mas o desfecho foi muito diferente do que preconiza os direitos dela. O caso aconteceu de maneira bastante degradante, e ela denunciou que foi discriminada por médicos e enfermeiros, dentro do Hospital Albert Schweitzer, em Realengo.

Com apenas 20 anos, engravidou e resolveu aos 4 meses não abortar e também doar a criança, já que não teria condições de criar,  a adoção seria o caminho. "Quando eu descobri que estava grávida e desempregada, bateu aquele desespero. Cheguei a comprar os remédios, mas eu não queria fazer aquilo, tirar a vida de uma criança. Eu sabia que depois que ele nascesse, ele seria levado para uma família substituta. E eu queria que ele continuasse recebendo amor", contou ela na justiça.

Sim, além de ter a coragem de passar pelo doloroso processo de colocar um filho para a adoção, ela juntou forças e denunciou o caso. De acordo com o juiz Sérgio Luiz Ribeiro de Souza, titular da 4° vara da Infância, Juventude e Idoso da capital, a gestante que deseja entregar o seu filho pra adoção tem o direito de procurar a Vara da Infância e Juventude.

"Ela também pode comunicar isso diretamente ao profissional de saúde, esses profissionais têm que manter o sigilo da informação, e, por obrigação legal, têm que comunicar a Vara da Infância e Juventude sobre essa decisão", explicou o juiz. Entretanto, no dia do parto, no Hospital Municipal Albert Schweitzer, aconteceu tudo ao contrário, segundo ela.

Discriminação no ambiente hospitalar

"Sofri muita discriminação no hospital. Sofri da médica, dos enfermeiros. No hospital, eles fazem muita pressão. Havia um pedido para eu não ter contato com o bebê. Disse que eu não queria amamentar. Minha decisão, nada do que eu pedi foi respeitado", comentou a mulher.

O Juiz afirmou a reportagem da Globo RJ que o  hospital foi avisado da decisão dois meses antes. "Essa criança deveria ir pra um acolhimento e não ter contato com a mãe, por desejo dela, mas houve ali uma série de condutas irregulares."

O sigilo da situação foi violado pela equipe hospitalar, e a mãe do bebê contou que pessoas entravam no quarto para questioná-la. "Me olhavam como se eu fosse um bicho. Houve um caso de uma senhora invadir meu quarto e me pedir para dar a criança pra ela porque ela queria muito e que eu estava dando a criança. Queria ter passado por isso de maneira tranquila, sem ter a sensação de que eu estava cometendo um crime".

Outro lado

Segundo as informações da reportagem o Hospital Albert Schweitzer afirmou que a mãe e o bebê ficaram separados durante a internação, que a criança foi entregue ao Conselho Tutelar assim que teve alta, e que a equipe de saúde vai ser ouvida para esclarecer o que aconteceu.

O Ministério Público informou que pediu ao hospital os nomes dos profissionais que atenderam a paciente para que eles sejam interrogados.

O pai da criança, como não raro acontece, não sofreu nada, pois abandonou a mãe ainda gestante.

 

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