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Paula Fernandes fala de polêmica em show: 'Perseguição pesada'

'Sou uma profissional séria e mereço respeito', diz a cantora

19 OUT 2016
Ego
10h39min
Foto: Divulgação

Na quinta-feira (13), Paula Fernandes se viu no olho do furacão após ter passado um período de silêncio durante um dueto com o tenor italiano Andrea Boccelli na música “Vivo por ella”, numa apresentação em São Paulo. O vídeo foi compartilhado na internet e a cantora recebeu uma saraivada de críticas. Disseram que ela havia esquecido a letra ou travado por conta da emoção. “Emocionada eu estava, mas travada nunca. Me preparei para isso”, afirma ela em sua primeira entrevista após o episódio.

Paula chegou a emitir, via assessoria, um comunicado em que relatou que a soprano Maria Aleida deveria se juntar à dupla, mas que, por problemas de saúde, teria desistido de subir ao palco de última hora. Em seu perfil no Instagram, Maria Aleida disse que não estava doente e que não estava programado que ela cantasse com Andrea e Paula, pedindo finalmente que os seguidores parassem de lotar sua página com comentários a respeito. “A produção do espetáculo me disse isso”, rebate Paula. “O que rola é uma perseguição pesada comigo, em que sempre superdimensionam o que eu faço. Sou uma profissional séria e mereço respeito.”Você esqueceu a letra?

Vou ser bem honesta com você. Rola uma perseguição pesada comigo. Eu sou daquelas que tropeçam na rua e falam que eu pulei. Fiquei muito chateada, porque eu sou muito profissional, dou sempre o meu melhor. E, desta vez, pegaram muito pesado. Foi uma bomba atômica. Me sinto injustiçada.

No palco, você percebeu que algo estava errado?

Com certeza. Naquela tarde, eu havia ensaiado com o maestro três canções, uma minha, uma com ele, “Canção da terra”, e, na hora do “Vivo por ella”, era impossível eu fazer a parte aguda, porque sou contralto. Então o produtor do espetáculo separou os dois primeiros versos para eu cantar, e me disse que a soprano faria a parte mais aguda.

Na hora em que eu estava na coxia, praticamente entrando no palco, alguém me disse que a soprano estava com dor de garganta e não poderia cantar. Eu perguntei: “O Andrea está sabendo?”. Disseram que sim, mas ele não sabia. Na hora H, eu cantei os dois versos, ele não sabia, e ficou aquele silêncio. Ou seja, o que aconteceu foi uma desorganização da produção. Nem sei se ela estava doente, estou relatando o que me foi passado. O que eu vi é que ela pronta, arrumada, foi lá para trabalhar. Mas não subiu ao palco.

Como recebeu as críticas?

Algumas pessoas superdimensionam ou distorcem o que eu faço; o que eu não faço, inventam. Já não é de hoje. Aquele foi um acontecimento isolado, eu fui crucificada como se tivesse dado um vexame. Num show, tudo pode acontecer. Nas duas primeiras músicas, tudo correu muito bem, mas disso ninguém fala, não é?

Então você não travou?

Imagina. É claro que eu estava emocionada, afinal estava cantando ao lado de um grande ídolo. Mas me preparei muito para aquele momento, estava muito feliz de estar naquele palco. Já fiz, graças a Deus, muitos duetos que me emocionaram, com pessoas maravilhosas, mas sou profissional. Acho injusto ter sido atacada dessa forma.

Como foi a reação do público no show?

O público foi maravilhoso, aplaudiu. O que pegou foi o depois, quando vi na internet e na imprensa marrom uma superdimensão de algo de que eu não tive a menor culpa. E eu vi comentários de pessoas que nunca ouviram uma música minha, que não acompanham a maneira responsável como eu levo a minha carreira. Meus fãs, ao contrário, foram maravilhosos e me deram muito apoio.

Vejo que você está bastante chateada.

Estou, sim, e decidi falar sobre isso, porque é preciso dar um basta nessa cultura de crucificação. Volta e meia dizem que eu sou antipática, metida; o que eu sou é reservada, caseira, discreta e tímida. Não crio um personagem para o público, procuro levar minha carreira de uma forma profissional e honesta. Não sou vaselina, sou autêntica. Antigamente, isso era uma qualidade, mas, neste tempo de evasão de privacidade, discrição virou ofensa, é muito louca essa inversão de valores.

Quando você teve noção da reação negativa ao número?

Na hora. Eu sou consciente, sou uma profissional. Mas fiquei surpresa no dia seguinte com a violência dos comentários. Não se pode acreditar em tudo o que se ouve ou se imagina. Por isso, decidi falar; para dar uma satisfação aos meus fãs de que, embora emocionada, eu estava plena e preparada para fazer a minha parte. Se eu tivesse esquecido a letra ou travado, errar é humano. Mas não foi o caso.

A que você atribuiu a confusão?

A uma erro da produção musical.

Você não poderia ter improvisado na hora?

Não posso improvisar num tom que não é a minha região. E ainda tem o fato de eu achar que o Andrea tinha sido avisado de que a soprano não cantaria.

Você tem quase 15 milhões de seguidores no Facebook. Como é sua relação com a internet?

Eu sempre digo para os meus fãs para não darem bola a tudo o que ouvem por aí ao meu respeito. Eu tenho vários canais na internet e divido tudo com eles. Mas a internet está virando terra de ninguém, numa caça insana por cliques e likes, julgando as pessoas sem conhecerem as situações. Já passou da hora de nós usarmos a internet de uma maneira mais consciente e responsável. Normalmente, eu não reajo, mas li coisas muito cruéis e acho que é um momento oportuno de levantar esse debate. É natural compartilharem o vídeo, mas daí a julgar e dar uma sentença sem entender é uma diferença muito grande.

Como lida com os haters?

Os haters estão aí para todos, infelizmente, e eu sei que não dá para agradar a todo mundo. Mas o que eu percebo é uma perseguição.

E por que a perseguem?

Eu já pensei muito sobre isso e, olhando para trás, vejo que entrei num meio muito masculino, o sertanejo. Quando comecei, por exemplo, alguns palcos tinham muitos buracos de divisórias e eu pedia para cobrir. Sabe como é, mulher usa saltão, não usa bota de caubói [risos]. Mas levavam para o lado de que eu fazia mil exigências, aquelas coisas. A verdade é que para nós, mulheres, tudo é muito mais difícil. Eu abri uma clareira para as minhas colegas, e isso às vezes traz um ônus difícil. Mas sempre digo para as minhas fãs para não se intimidarem, então estamos aí, vamos seguir em frente. 

Viu os memes?

Os memes são divertidos, não me incomodam. Sempre rio com eles. Quando publicaram aquele meu vídeo do bate-cabelo, de anos atrás, eu caí na gargalhada, compartilhei. O que me incomoda é a injustiça, não o humor.

Depois da apresentação, você teve a oportunidade de estar com o Andrea?

Nós nos encontramos antes, e ele foi extremamente afetuoso e gentil. Ele é muito especial. Até pelo fato de não poder ver, tem a sensibilidade aflorada, não só cantando divinamente bem, mas no trato com as pessoas. Foi o acontecimento da minha vida estar ao lado dele, fiquei muito honrada de ter merecido esse convite.

Seu álbum Amanhecer foi indicado ao Grammy Latino. Pretende ir à cerimôna em Las Vegas?

Claro, estou animadíssima. Já pensou na emoção de ser indicada e, quem sabe, trazer esse prêmio para o Brasil?  Esse disco foi feito com muito amor. Las Vegas, aí vou eu.

 

 

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