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Taxistas destroem lounge da Uber no Aeroporto Santos Dumont e agridem um motorista

Funcionários da Uber disseram que os invasores quebraram pelo menos duas TVs e duas geladeiras e depredaram ainda três carros que prestam serviço ao aplicativo

29 NOV 2016
O Globo
17h31min
Foto: Divulgação

Mais de cem taxistas depredaram, no início da tarde desta terça feira, o lounge que serve de apoio às operações da Uber no Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, como revelou o blog do jornalista Lauro Jardim. Segundo a empresa, um motorista do serviço foi agredido. Funcionários da Uber disseram que os invasores quebraram pelo menos duas TVs e duas geladeiras e depredaram ainda três carros que prestam serviço ao aplicativo. Indagada se vai registrar queixa da agressão na polícia, a assessoria da companhia respondeu que "tomará as providências cabíveis".

A empresa acrescentou que, assim que percebeu a movimentação em volta do local, o espaço foi fechado. Ainda não há data para reabertura. O sinal do aplicativo no aeroporto ficou cortado das 13h30 até 16h15 por medida de precaução.

MANIFESTANTES COM PORRETES

Alguns manifestantes levavam porretes, que foram usados para quebrar o lounge. Inicialmente, o ato era apenas um protesto de taxistas e era acompanhado por três policiais militares. Eles dispersaram o grupo com spray de pimenta. O Batalhão de Choque foi acionado pelos soldados.

- Um dos manifestantes disse que, se eles conseguem quebrar a Alerj, como não conseguiriam quebrar a Uber - disse um colaborador do aplicativo.

Em nota, a empresa disse que considera inaceitável o uso de violência. "Acreditamos que qualquer conflito deve ser administrado pelo debate de ideias entre todas as partes. Todo cidadão tem o direito de escolher como quer se movimentar pela cidade, assim como o direito de trabalhar honestamente", ressaltou a empresa.

Funcionários da Uber disseram que são hostilizados frequentemente por taxistas no Santos Dumont, mas esse foi o primeiro caso de vandalismo. Pelo menos 20 passageiros que aguardavam motoristas foram hostilizados. Entre eles, a jornalista Ana Paula Renault, que participou do reality Big Brother Brasil, da TV Globo. Ela contou, em seu perfil do Twitter, que estava no aeroporto e foi agredida. Em post, ela disse que fez "questão de sair do aeroporto escoltada, mas de Uber"

Em outro post, ela reconhece que é a mulher que foi ofendida pelos taxistas durante o ataque, ao defender o serviço. A agressão está no fim de um vídeo que mostra o local cercado pelos taxistas.
O atendimento dos motoristas da Uber já foi normalizado. Os passageiros embarcam por um estacionamento ao lado do Shopping Bossa Nova, anexo ao aeroporto e onde fica o posto da Uber.

O shopping Bossa Nova Mall informou, em nota, que acionou a polícia para reforçar a segurança no local. "A situação já está sob controle e o shopping opera normalmente."

JUSTIÇA MANTÉM UBER NO RIO

Nesta segunda-feira, o prefeito Eduardo Paes sancionou a lei aprovada pelos vereadores que proíbe o serviço de transporte particular de passageiros no Rio, como é o caso do oferecido pelo aplicativo. Logo, se estabeleceu uma dúvida se a proibição seria imediata porque uma determinação judicial garante o funcionamento da atividade. Mas, no mesmo dia, a Justiça divulgou uma nova decisão a favor da Uber: a desembargadora Marcia Alvarenga, da 17ª Câmara Cível, manteve a sentença que havia sido concedida no dia 5 de abril pela juíza Ana Cecilia Agueso Gomes de Almeida, da 6ª Vara de Fazenda Pública.

A desembargadora, em seu despacho, diz que o texto publicado nesta segunda-feira no Diário Oficial por Paes observa que a lei entra em vigor na mesma data. Segundo a magistrada, sem vacatio legis — tempo entre a publicação e a data que entra em vigor — “que seria de se esperar para uma questão de significativa repercussão social". Citando um recurso do Ministério Público e do município em tramitação, ela também chama atenção para o fato de que a interpretação da legislação municipal, até então vigente, e bastante similar à nova lei, ainda será objeto de julgamento pela 17ª Câmara Cível. E acrescenta que a atividade de transporte particular de passageiros é realizada há algum tempo sem graves danos sociais.

Na sua conclusão, a desembargadora determina que o presidente do Detro e o secretário municipal de Transportes e seus subordinados se abstenham de qualquer ato que restrinja ou impossibilite o serviço — aplicação de infração, apreensão de veículo ou retenção de carteira de habilitação dos motoristas —, sob pena de multa de R$ 50 mil para cada ação praticada.

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