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UEMS participa de megaprojeto para mapear solo brasileiro

Para cada real investido no programa há uma perspectiva de retorno de R$ 185

7 DEZ 2017
UEMS
14h00min
Foto: Divulgação

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) participa do Programa Nacional de Solos do Brasil (Pronasolos), o maior empreendimento técnico-científico brasileiro da área de solos. Nesta terça-feira (5), data em que é comemorado o Dia Mundial do Solo, a UEMS e outras 19 instituições brasileiras assinaram um protocolo de intenções para a realização do maior levantamento pedológico já executado no Brasil. O evento foi em Brasília (DF), na sede da Embrapa.

De acordo com o professor e pesquisador Jolimar Antônio Schiavo, do curso de Agronomia da UEMS de Aquidauana, que representou a Instituição no evento, o trabalho realizado pelo Pronasolos terá grande impacto para todos os estados e, principalmente, para Mato Grosso do Sul. O trabalho, que deve ser feito ao longo de 30 anos, foi orçado, nos 10 primeiros anos, em cerca de R$ 740 milhões.

“Hoje, o Brasil tem um grande percentual de terras em situação de degradação, o que causa perda de diversidade, de recursos hídricos e, consequentemente, de produtividade. Por isso, o planejamento do uso do solo, baseado em dados levantados em cada região, é fundamental para reverter esse cenário”, afirmou o pesquisador.

O Pronasolos levantará informações fundamentais para inúmeras áreas que vão de mudanças climáticas e recursos hídricos a seguro rural e telecomunicações, segundo explica o pesquisador da Embrapa Solos José Carlos Polidoro, coordenador do programa. “Como saber quanto carbono podemos armazenar no solo para mitigar emissões de gases de efeito estufa se não sabemos quanto desse elemento existe hoje nos solos brasileiros? Como fazer um zoneamento de risco climático no nível da propriedade rural, se hoje não se conhece em detalhes os diferentes recortes de solos que temos no País?”, exemplifica o especialista.

Polidoro diz que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por exemplo, necessita saber o valor da condutividade elétrica dos solos de várias regiões, informação relevante para a instalação de antenas. “É uma medida simples realizada em poucos minutos, mas que não foi feita até hoje”, conta, afirmando que o trabalho de levantamento de solos do Brasil está atrasado, especialmente para um país com forte atividade agrícola. A estimativa é que o País esteja perdendo cinco bilhões de dólares por ano somente pela ação da erosão.

“Esse programa possui grande importância para o ordenamento territorial no Brasil, pois conjuga o desenvolvimento econômico no campo com a conservação dos recursos naturais e o gerenciamento dos recursos hídricos,” declara Edgar Shinzato, chefe do Departamento de Informações Institucionais do Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB), uma das instituições participantes do Pronasolos.

"Trata-se de uma das maiores iniciativas do Brasil para proteger seu solo", ressalta o presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes que chamou a atenção para a importância do trabalho coletivo para a realização da empreitada. “Não se faz um trabalho dessa magnitude sem uma parceria muito consolidada, por isso ela envolve atores de extrema importância,” frisa.

Retorno de R$185,00 para cada real investido

“É preciso cuidar do solo de maneira estratégica. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos fez isso na década de 1960 e estima-se que cada dólar investido no levantamento de solo resultou em até 120 dólares de retorno. No Brasil, a literatura aponta que a relação pode ser de um para 185 em escalas a partir de 1:50.000,” afirma Polidoro da Embrapa. Ou seja, para cada real investido no programa há uma perspectiva de retorno de R$185,00.

Os resultados beneficiarão mais de uma dezena de setores como os de seguro e crédito agrícola, zoneamentos agroecológicos e ecológico-econômicos dos estados e municípios, Programa de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), vulnerabilidade da terra a eventos extremos em áreas urbanas e rurais; planejamento de microbacias e projetos de telecomunicações entre vários outros. Outro efeito importante previsto pelos especialistas envolvidos é a valorização da terra.

TCU motivou programa

A ausência de informações sobre os solos do País já era apontada por especialistas da área como um sério problema para o desenvolvimento nacional. Porém, foi após o Tribunal de Contas da União (TCU) se inteirar da situação que as ações começaram a tomar corpo.

Em 2015, Ano Internacional do Solo, a equipe de Pedologia (ciência que estuda o solo) da Embrapa Solos elaborou uma nota técnica reunindo as lacunas de informação sobre os solos brasileiros e os consequentes prejuízos ao País que elas poderiam causar. O documento propunha a criação do Pronasolos. No mesmo ano, o TCU elaborou um acórdão envolvendo vários ministérios no qual indicava a Embrapa entre as principais responsáveis pelo trabalho de levantamento.

"O Tribunal de Contas nos deu um prazo de 120 dias para a elaboração de um plano de providências para atender às recomendações contidas no relatório de Auditoria Operacional de Governança de Solos", afirmou Polidoro. Em dezembro, uma equipe formada por 11 Unidades da Embrapa, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS), Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Ministério da Agricultura. Pecuária e Abastecimento (Mapa) disponibilizaram a primeira versão do documento que serviu de base para a criação do Pronasolos.

Em maio deste ano, a Embrapa lançou o projeto especial Pronasolos com o intuito de traçar as diretrizes do programa nacional a ser oficializado pelo Governo Federal. O projeto definiu um diagnóstico e estabeleceu diretrizes, estruturação de governança e de financiamento do Pronasolos. O objetivo é mapear 1,3 milhão de quilômetros quadrados nos primeiros dez anos.

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