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'Vamos parar de fingir que pagamos médico, e o médico vai parar de fingir que trabalha', diz ministr

13 JUL 2017
O Globo
18h09min
Foto: Jorge William

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, atacou médicos que "fingem que trabalham" e prometeu implementar sistema de biometria em hospitais públicos. Nesta quinta-feira, Barros afirmou que pretende informatizar unidades básicas de saúde até o fim do ano que vem, tanto para acompanhar atendimentos de pacientes quanto punir profissionais de saúde improdutivos.

— Muito sinceramente, o senhor (presidente Michel Temer) sabe que sou uma pessoa muito pragmática e clara. Vamos parar de fingir que pagamos médico, e o médico vai parar de fingir que trabalha — disse o ministro, em discurso, se dirigindo ao presidente e criticando o "faz de conta" na Saúde.

Barros não deu mais informações sobre a meta do governo. Afirmou apenas que, em municípios com sistema de biometria na saúde pública, metade dos médicos são demitidos pelo acúmulo de empregos e incapacidade de cumprir a carga horária. Não foi informado a quantos municípios o ministro se referiu.

Segundo o ministro da Saúde, o grande problema da área no Brasil é a dificuldade de fazer com que o médico vá trabalhar na unidade de saúde. Além do obstáculo das ausências, ele se disse preocupado com a produtividade dos profissionais.

— O grande problema de saúde é que não conseguimos fazer com que o médico fique quatro horas na unidade de saúde. A pessoa que tem problema vai diretamente no hospital, porque lá ela sabe que vai estar o médico — afirmou.

Denunciado por corrupção passiva, Temer disse que irá até o fim do mandato, em dezembro de 2018, ao cogitar um "sonho" de zerar filas em hospitais. Em cerimônia no Palácio do Planalto nesta quinta-feira, Temer e Barros anunciaram um remanejamento de R$ 1,7 bilhão na Saúde. O presidente chamou o ministro de "médico honorário e prefeito honorário". Barros devolveu o elogio: em sua apresentação de slides, havia trechos como "Medida Provisória do presidente Temer permitiu adequar oferta da penicilina no combate à sífilis", "Presidente Michel Temer anunciou renovação da frota do SAMU para todo o país" e "Presidente da República comandou pessoalmente lançamento da campanha Sexta Sem Mosquito".

— O meu maior sonho é que num dado momento os jornais televisivos possam revelar no seu noticiário que não há fila em hospital e há atendimento em todos os hospitais. E para isso nós temos mais um ano e meio. E, nesse ano e meio, tenho certeza de que você (Ricardo Barros) vai conseguir isso no Ministério da Saúde.

'VOLTE PARA A ENGENHARIA'

Entidades médicas atacaram a fala de Barros. A Federação Médica Brasileira (FMB) sugeriu que o ministro "volte para a engenharia" e citou o "governo afundado em denúncias de corrupção". O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) rebateram os comentários "completamente inadequados" e "pejorativos" de Barros.

A FMB afirmou que o ministro da Saúde, deputado licenciado pelo PP do Paraná, é "acostumado a conviver em um ambiente em que fraudar o sistema público é corriqueiro e considerado normal para muitos de seus pares", e está "no desespero de tentar salvar um governo afundado em denúncias de corrupção". Barros, segue a nota, não tem habilidade para lidar com os "escândalos criminosos que bombardeiam diariamente o governo que integra" e está "numa busca incansável para justificar a precariedade no sistema de saúde pública". 

"Sugerimos ao ministro que volte para a engenharia. Na área da saúde, além de polêmicas e tentar denegrir a imagem dos médicos, a categoria profissional mais respeitada do país, ele ainda não conseguiu provar a que veio", completa o comunicado da FMB.

O CFM e a AMB falaram que há uma tentativa de transferir aos médicos a "grave crise que afeta a rede pública", "na incapacidade de responder aos anseios da população". "No entanto, polêmicas infundadas não eximem o Estado de suas responsabilidades ou afasta a compreensão da falta da indispensável atenção administrativa", afirmaram as entidades.

 

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