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Acusado de matar Mayara muda versão em entrevista e diz: 'agi sozinho movido pelo ódio'

Na nova versão não teve sexo a três e sim um tapa da vítima ao ser xingada de vagabunda

5 AGO 2017
Liziane Berrocal
08h28min
Foto: Jefferson Coppola/VEJA

O músico e técnico de informática Luís Alberto Barbosa mudou o depoimento sobre o assassinato da musicista Mayara do Amaral, 27 anos, num crime que chocou Mato Grosso do Sul e ganhou projeção nacional. 

Em entrevista à revista Veja, ele agora assume a autoria do crime sozinho e garante que os outros dois suspeitos envolvidos, Ronaldo da Silva Olmedo, de 30 anos, conhecido como Cachorrão, e Anderson Sanches Pereira, não tiveram nenhuma participação na morte da musicista e só teriam comprado o carro de Mayara, um gol quadrado ano 1992 por R$ 1 mil. 

A versão da entrevista “bate” com a versão dos outros dois presos, que desde o início negaram a participação do crime.

Mayara foi morta a golpes de martelo dentro de um motel na Capital no dia 25 de julho. Segundo a revista, Luís concedeu a entrevista no Presídio de Trânsito e assumiu, durante a conversa, que teria feito tudo sozinho. “Movido pelo ódio”. Ele teria envolvido Cachorrão para tentar “diminuir” sua participação no crime. 

“Fui movido pelo ódio porque tínhamos discutido e ela debochou da minha namorada. Chamei-a de vagabunda e ela me bateu. Tive um ataque de fúria. Tinha bebido e cheirado. Depois que tudo aconteceu, chorei mais de duas horas seguidas”, contou ao entrevistador. 

Confira abaixo trecho da entrevista de Luís dada a revista:

Onde você conheceu a Mayara?

Num bar chamado Drama, há três meses. Tocamos juntos e, primeiro, rolou uma amizade. Só depois de duas semanas nos beijamos. Tenho namorada, mas sentimos uma atração e não resistimos.

Por que mudou a versão sobre o assassinato?

Pus a culpa no Cachorrão para me livrar. Achava que se envolvesse outras pessoas, minha pena seria menor. Como ele já tinha passagem pela polícia, menti que ele fez tudo. Mas, se olharem as digitais no cabo do martelo, vão ver que são minhas. Resolvi contar toda a verdade e enfrentar o que vem pela frente. Cometi um erro grave e quero pagar por ele.

Não pensou por um momento nas consequências?

Fui movido pelo ódio porque tínhamos discutido e ela debochou da minha namorada. Chamei-a de vagabunda e ela me bateu. Tive um ataque de fúria, tinha bebido e cheirado. Depois que tudo aconteceu, chorei por mais de duas horas seguidas.

Por que você carregava um martelo na mochila?

Porque para comprar pó eu ando em umas quebradas. Uso o martelo para me proteger.

Como você se livrou do corpo?

Primeiro, pus ela no porta-malas. Depois, voltei ao quarto para limpar o sangue. Paguei a conta de 100 reais do motel, mas faltava 20. Aí deixei a carteira de identidade dela na recepção como garantia para pagar o restante depois. Mas não voltei para pagar.


Para onde você levou o corpo?

Para a minha casa. Lá, guardei as coisas dela. Aí levei para um terreno baldio, mas não consegui enterrar porque a areia era muito fofa. Comprei álcool no posto e fui a outro terreno. Lá, ateei o álcool nela e no mato para fazer parecer que era um incêndio.

Você fez isso sozinho?

Fiz tudo sozinho. Só procurei o Ronaldo (Cachorrão) e o Anderson para me livrar do carro. Eles compraram por 1 000 reais. Essa foi a única participação que tiveram no crime.

Achava que ninguém descobriria o crime?

Desde que me dei conta de que matei a Mayara, sempre soube que seria pego.

Está arrependido?

Estou. Queria pedir desculpas à família da Mayara e à minha. Por mais que ninguém vá acreditar, eu gostava dela. Minha vida está destruída. Eu ia me casar, estava procurando casa, dei entrada para sacar o FGTS. Agora, não sei o que será de mim. Quando fecho os olhos, vem a imagem da Mayara e o momento do crime. Não tenho religião, mas, à noite, na cela, eu grito por Deus.

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