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Ameaças, contradições e plano para reduzir pena: entenda nova versão de assassino de musicista

Acusado muda completamente depoimento e assume todo crime sozinho, assim, pode ser indiciado por feminicídio, crime com pena menor

6 AGO 2017
Anna Gomes
07h00min
Foto: Reprodução Facebook

Com a intenção de reduzir a pena, a defesa do músico e técnico de informática Luís Alberto Barbosa tenta mudar o depoimento do assassino da musicista Mayara Amaral, que foi brutalmente morta a martelas em um motel de Campo Grande no dia 25 de julho. Agora, o acusado de matar a jovem muda completamente sua versão e assume todo crime sozinho, assim, pode ser indiciado por feminicídio, ao invés de latrocínio, já que a pena seria menor.

Conforme o advogado do assassino, Conrado Souza, Luís estaria sozinho no dia do crime. Teria acontecido uma discussão entre ele e a musicista, então com um martelo ele desferiu vários golpes contra a mulher. A princípio, ele teria falado que mais dois homens estariam envolvidos no crime, mas pretende mudar seu depoimento.

"Ontem, entrei em contato com a delegada que investiga o caso para meu cliente prestar um novo depoimento, esperamos e ainda não fomos atendidos. Pretendemos mudar os fatos em breve. Ele fez tudo sozinho e, na pressão do momento, ele acabou envolvendo os dois rapazes", disse o advogado.

Luís assume todo crime. (Foto: Jefferson Coppola/VEJA)

Quando interrogada sobre o motivo do crime, a defesa alega que Luís conheceu Mayara há cerca de três meses e, mesmo namorando outra jovem, o assassino passou a se encontrar com a musicista. "Os dois brigaram quando a Mayara começou a debochar da namorada dele, sobre uma doença e ele a matou", disse.

Contradições

Durante uma entrevista para a revista Veja, Luís alegou que sempre ficava com um martelo dentro da mochila para ir a algumas 'quebradas' onde ele conseguia comprar entorpecentes. Conforme divulgado, ele teria alegado que usava o martelo para se defender. Na contramão, o advogado que conversou com o TopMídiaNews disse que a ferramenta estava com seu cliente para ele quebrar pedras de gelo, pois ele gostava de tomar tereré.

Primeiramente Luís teria alegado que Mayara permitiu fazer sexo com ele e com Ronaldo da Silva Olmedo, de 30 anos. Em seguida, ambos assassinaram a vítima a marteladas, colocaram o corpo no carro que teria sido vendido para Anderson Sanches Pereira. Depois colocaram fogo no corpo da musicista, que ficou completamente carbonizado.

Ao contrário do que Luís havia falado, agora, a defesa alega que o assassino não vendeu o veículo da vítima por R$ 1 mil e que os objetos pessoais de Mayara estavam na residência do assassino, mas ele não iria ficar com os pertences, iria se entregar e devolver tudo para a família. Fatos que fazem o autor fugir do crime de latrocínio, respondendo por feminicídio.

"Ele não vendeu o carro, deixou na casa dos colegas alegando que qualquer 'milão' pagaria, mas não chegou a receber. Ele iria se entregar, mas a polícia foi mais rápida", tentou defender o advogado.

Trio preso. Luís, Ronaldo e Anderson

Agora, na nova versão do assassino, Anderson e Ronaldo não tiveram envolvimento no assassinato. Ambos teriam apenas ficado com o veículo da vítima, um VW GOL 1992. Luís assume todo o crime, relatando que matou a mulher sozinho, em seguida, colocou o corpo no carro da vítima e ficou com o cadáver por cerca de 11 horas, o abandonando na região do inferninho, depois de colocar fogo.

Luís incriminou seus colegas pois acreditava que, assim, conseguiria diminuir sua pena. Quando interrogada sobre o caráter de Luís, a defesa coloca toda a culpa em drogas. Segundo o advogado, seu cliente não sabia o que estava fazendo devido ao uso de entorpecentes.

Ameaça de morte

Depois da grande repercussão do caso, Luís está sendo ameaçado de morte no estabelecimento penal onde se encontra preso. Segundo o advogado, grupos do PCC estariam se organizando para matar Luís, que está sozinho em uma cela do presídio.

Polícia

A equipe de reportagem tentou entrar em contato com a delegada que investiga o caso, Gabriela Stainle, da Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos), mas até o fechamento desta matéria ela não atendeu as ligações.

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