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Em clima de guerra, presos do Comando Vermelho ameaçam caos em MS

Suposto preso promete incendiar ônibus e explodir viaturas no Estado se não conseguir transferência de presídio

9 JAN 2017
Diana Christie
11h15min
Foto: Geovanni Gomes

O clima de guerra entre facções nas penitenciárias brasileiras pode estourar em Mato Grosso do Sul, que já sofre com a insegurança na fronteira com o Paraguai e a disputa por poder do narcotráfico, iniciada após a morte de Jorge Rafaat. Em áudio que circula nas redes sociais, supostos presos do Comando Vermelho ameaçam ‘tocar o terror’ se não conseguirem a transferência para outras unidades.

“Nós aqui do Comando Vermelho queremos paralisar o pessoal do Brasil inteiro por conta dessa transferência que nunca vem. E o MS está de brincadeira ‘com nós’, o Governo do MS está de palhaçada ‘com nós’. Eu acho que eles estão querendo que nos mostre o poder de fogo aqui dentro do estado do MS, na Capital, aqui no interior do MS”, diz um homem não identificado.

Em outro trecho do áudio, o suposto preso afirma que os membros da facção correm o risco de ser executados pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) e ameaça explodir muros e viaturas, além de incendiar ônibus, para entregar o recado às autoridades. Também destaca que o Comando Vermelho só possui dois sul-mato-grossenses e está misturado com o Primeiro Grupo Catarinense.

“Só assim eles vão transferir ‘nós’ porque ‘tão’ deixando ‘nós’ aqui para morrer na mão do PCC. Se o Comando Vermelho morrer na mão do PCC não vai ficar legal. Nós vamos dar resposta à altura. E essa é a fita ‘aê’. Nós vamos paralisar o Brasil”, garante o homem que se identifica como integrante da facção fluminense.

O caso ganha mais proporções após a morte de Makanaky Nobre dos Santos Nascimento, 26 anos. Ele foi encontrado enforcado com uma corda artesanal presa à janela de um banheiro, na parte externa da Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, na última quinta-feira (5). Em vídeo, internos filmam o corpo e zombam da execução associando o preso ao Comando Vermelho.

De acordo com a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), ele cumpria pena por tráfico de entorpecentes e tráfico internacional de arma de fogo, sendo que o caso é investigado pela Polícia Civil. Makanaky  também tinha passagem por furto qualificado e estava em Campo Grande desde 16 de dezembro do ano passado, quando foi transferido da Penitenciária de Dois Irmãos do Buriti.

Outras ligações

Além disso, autoridades federais confirmaram que a ordem do massacre que resultou na morte de 54 presos no Complexo Anísio Jobim, em Manaus (AM), partiu do presídio federal de segurança máxima de Campo Grande, por chefões de tráfico que cumprem pena no local. O principal nome citado pela polícia é do traficante José Roberto Fernandes Barbosa, 44 anos, conhecido no mundo do crime como Zé Roberto da Compensa.

A guerra entre facções já somava 93 mortes confirmadas em presídios do Amazonas e de Roraima, sendo que o número pode aumentar já que pelo menos quatro detentos foram mortos e oito ficaram feridos na madrugada de domingo na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus. Três deles foram decapitados.

De acordo com a Uol, o Ministério da Justiça informou que vai autorizar o envio de ajuda federal para quatro Estados: Rondônia, Mato Grosso, Amazonas e Roraima. Os dois últimos solicitaram a Força Nacional. O PCC estaria "caçando" ex-integrantes da FDN (Família do Norte) que agora estão em seus quadros com o objetivo de engrossar a proposta de retaliação, após o massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim do dia 1º, que deixou 56 mortos.

A Agepen aguarda o retorno o do diretor-presidente da instituição, Ailton Stropa Garcia, para Campo Grande antes de se pronunciar sobre o assunto. 

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