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Homem confessa ter matado adolescente e justifica: ‘cansado de ser roubado’

Homem teve a casa incendiada por parentes da vítima, um adolescente de 16 anos, horas depois do crime no Jardim Carioca

13 OUT 2016
Amanda Amaral e Kerolyn Araújo
15h00min

Dois dias após a morte de um adolescente de 16 anos em um campinho de futebol no Jardim Carioca, em Campo Grande, o autor do crime, José Nilton da Silva Fraga, 49 anos, se apresentou na 7ª Delegacia da Polícia Civil e disse ter efetuado os disparos após ‘momento de raiva’. O caminhoneiro afirmou que estava exausto de ter sido furtado pelo jovem e outros membros de uma gangue a qual ele fazia parte.

Conforme o autor, há 90 dias os jovens entraram em sua casa e furtaram quase tudo o que encontraram. Apesar de já ter registrado dois boletins de ocorrência contra o grupo, nada havia sido feito para evitar novos ataques, que teriam se repetido, conforme Nilton, que ainda alegou receber ameaças frequentemente do grupo.

Na terça-feira (11), o caminhoneiro contou que chegou em casa e viu que, novamente, o local havia sido invadido. “Roubaram tudo da casa, inclusive o dinheiro para eu comprar os presentes dos meus três filhos, que moram com a mãe, para o dia das crianças. Roubaram também o sacolão e outras coisas”, disse.

Foi então que ele teria tomado a decisão de ir de carro até o campinho de futebol em que o grupo costuma passar a tarde, mas armado, “porque sabia com quem estava lidando”. Conforme a versão de Nilton, outros membros da gangue que estavam no local se aproximaram com as mãos na cintura, aparentando estarem armados, foi quando ele voltou ao carro, pegou a própria arma, de pressão adaptada para calibre .22, e atirou contra o primeiro adolescente que abordou.

O adolescente levou apenas um tiro, que atingiu o seu tórax. O Corpo de Bombeiros e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) tentaram reanimar a vítima, mas sem sucesso. Horas depois da morte no campinho, familiares do adolescente foram até a residência de Nilton e incendiaram o local.

O advogado do caminhoneiro, Rodrigo Duarte, disse que vai trabalhar com argumento de legítima defesa, porque o autor poderia ser atingido se não tivesse a atitude. Nilton não tem passagens pela polícia e se disse estar arrependido, agindo por “um momento de raiva”. 

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