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Briga por chinelo motivou decapitação de mulher; 15 participaram de assassinato

Após desentendimento por causa do chinelo, Joyce confessou ser membro do Comando Vermelho, facção criminosa rival ao PCC e acabou morta

10 OUT 2018
Kerolyn Araújo
16h04min
Foto: Arquivo/Dany Nascimento

Briga por causa de um chinelo desencadeou a morte de Joyce Viana Amorim, 21 anos, encontrada morta no dia 14 de maio, em Campo Grande. Durante a discussão, ela teria dito a membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) que pertencia ao Comando Vermelho (CV), facção criminosa rival. Quinze pessoas participaram da execução da jovem.

Conforme informações do delegado Carlos Delano da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios (DEH), no dia 11 de maio, Weslley Marques da Rosa, 25 anos, conheceu Joyce em uma festa e, no dia 13, levou a jovem para a casa de um adolescente de 17 anos, no Jardim Colorado. No local, enquanto o menor e outros dois adolescentes de 14 e 16 anos faziam o uso de drogas, Weslley manteve relação sexual com a vítima.

No decorrer do dia, Joyce percebeu que o adolescente de 14 anos estava em posse de seu chinelo. Ela mandou que ele devolvesse e a respeitasse porque ela seria integrante do Comando Vermelho.

Os adolescentes, que seriam membros do PCC, entraram em contato com Marcos Felipe Dias Lopes, 19 anos, que seria o responsável pelo abastecimento de drogas na região e também era integrante da facção. Os menores contaram que, na casa, havia uma mulher do Comando Vermelho. Marcos ligou para Ygor Matheus Dutra dos Santos, 19 anos, e mandou que ele fosse até o local checar a informação. Na residência, Joyce voltou a afirmar que fazia parte da facção rival.

Com a informação confirmada, Marcos foi até a casa do adolescente acompanhado de Eloir Anjos de Oliveira, 52 anos, e Lucas da Silva, 19 anos, e começaram o 'julgamento' de Joyce, procedimento adotado pelo PCC. Como a vítima era mulher, Marcos também mandou chamar Isabella Sanches dos Santos, 22 anos, e Miria Helena Julio Paschein, 21 anos, essa segunda seria a 'chefe' feminina da facção no Estado. 

Como a casa onde todos estavam era visada pela polícia por ser ponto de venda de drogas, o grupo decidiu matar a vítima em outro local. Então, Wellison de Souza Silveira, 23 anos, foi até a casa em um veículo VW Gol, onde levou Joyce e Miria para a casa de Davi Miguelão, 19 anos, no bairro Santa Emília. 

No local, além de Davi, estavam Ghian Lucas Martinez, 23 anos, Danilo de Souza Brito, 19 anos, e Thiago Velasquez de Souza, 31 anos. Com a ordem de execução de Joyce aprovada por um superior de dentro do presídio, a vítima foi morta. 

Segundo a polícia, Miria segurou a vítima, enquanto Danilo cortou o pescoço da jovem. O corpo foi desovado em uma estrada que liga o bairro Santa Emília ao Nova Campo Grande. 

Dos 15 envolvidos, Isabella é a única que está foragida da polícia. Davi está em liberdade porque colaborou com as investigações e apenas cedeu a casa. Thiago morreu dias após o crime durante um assalto a um banco em Terenos. Os três menores estão internados na Unidade Educacional de Internação (Unei).

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