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Caso adolescente torturado: MPE afirma que só se manifesta após inquérito

Conforme o delegado que investiga o caso, o inquérito deve ser concluído até a próxima sexta-feira

16 FEV 2017
Anna Gomes
11h50min
Foto: Divulgação

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, aguarda a finalização do inquérito policial pela Polícia Civil para verificar se há alguma diligência de investigação sobre o caso do adolescente que morreu após ser torturado com uma mangueira de compressão de ar, em um lava-jato de Campo Grande.

De acordo com o delegado que Paulo Sérgio Laureto da DPCA (Delegacia de Protecao a Crianca e ao Adolescente), a Polícia Civil deve concluir o inquérito até a próxima sexta-feira (24).

Conforme a assessoria de imprensa do MPE, o Promotor de Justiça Luiz Antonio Freitas de Almeida, responsável pela 69ª Promotoria de Justiça, se posicionou nesta quarta-feira (15), para verificar se há alguma diligência de investigação que eventualmente precisa ser feita ou, ao contrário, se há provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria.

Ainda segundo o MPE, a primeira hipótese, o inquérito será devolvido para a Polícia Civil, para a complementação pedida; na segunda hipótese, se as provas coletadas afastarem a possibilidade de arquivamento do inquérito policial, será oferecida a cabível denúncia, oportunidade em que será apontado ao Juiz de Direito qual o crime em tese cometido pelos investigados. De posse da denúncia, cabe ao Juiz recebê-la se estiverem satisfeitos os requisitos legais, momento em que será iniciado o processo criminal contra os suspeitos, que passarão à condição de réus.

O promotor afirma que “as notícias que foram divulgadas mostram elementos fortes de cometimento de um crime, porém, só posso fazer uma avaliação mais concreta após o fim do inquérito e com o relatório feito pela Polícia Civil, inclusive para decidir se há base probatória para oferecer a denúncia”. Ele ainda acrescenta que, se virarem réus, terão direito ao contraditório e à ampla defesa, de modo que o oferecimento da denúncia não representa dizer que sejam culpados, conclusão que se chega apenas ao final do processo criminal se houver condenação.

 

Entenda o caso

O jovem foi vítima de uma crueldade no último dia três de fevereiro. Os suspeitos de cometerem o crime, identificados como Willian Henrique Larrea, 30 e Thiago Giovanni Demarco Sena, 20, trabalhavam com o adolescente que teve uma mangueira compressão de ar introduzida no ânus, em um lava-jato, localizado na Avenida Interlagos, na Vila Morumbi, em Campo Grande.

Mesmo com uma perda de 20 cm de seu intestino, o jovem havia apresentado uma melhora no quadro de saúde nesses últimos dias, mas o 'pesadelo' da família voltou na tarde de ontem (13), quando o adolescente começou a vomitar muito sangue, passou por uma endoscopia e foi confirmada uma grave lesão no esôfago do rapaz.

Entubado desde as 16h30 desta segunda-feira (13), o adolescente precisou voltar para área vermelha da Santa Casa, mas ele não resistiu e acabou falecendo na tarde da última terça-feira (14). Os médicos ainda tentaram reanimar o jovem por cerca de uma hora, mas ele infelizmente acabou indo a óbito.

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