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Celular apreendido na Lama Asfáltica mostrou ligação entre JBS e ex-procurador

Investigação em Mato Grosso do Sul, Máquinas de Lama realizou busca e apreensão na sede da JBS em São Paulo

14 SET 2017
Airton Raes
09h19min
Foto: Silvia Costanti/Valor

Foi durante a quarta fase da Operação Lama Asfáltica, Máquinas de Lama, que a Polícia Federal apreendeu o celular de um dos donos do Grupo JBS, Wesley Batista, que continha conversa com ex-procurador Marcelo Miller.

A sede da JBS em São Paulo foi alvo de busca e apreensão autorizada pela Justiça durante a Operação Máquinas de Lama. Dois frigoríficos do Grupo também foram alvos de busca pela Polícia Federal.

Miller atuou durante três anos no gabinete do procurador-geral da República Rodrigo Janot e, nessa condição, teria intercedido em favor da JBS. As suspeitas sobre a conduta de Miller constam de relatório de 84 páginas da PF no âmbito da Operação Acerto de Contas, dedobramento da Tendão de Aquiles – investigação sobre uso de informações privilegiadas  pelos irmãos JBS de sua própria delação premiada no mercado financeiro para auferir lucros excepcionais da noite para o dia.

O nome de Miller surgiu ‘fortuitamente’, na apreensão do celular de Wesley, em maio, na deflagração da quarta etapa da Lama Asfáltica, que investiga desvios de recursos federais em obras do governo de Mato Grosso do Sul.

No grupo de WhatsApp de Wesley, os investigadores resgataram ‘orientações’ do então procurador aos executivos da JBS. A PF afirma que os irmãos JBS ‘cooptaram’ Miller quando ele ainda exercia o cargo de procurador federal. Ele teria sido corrompido por meio do ‘recebimento de vantagem ilícita ou promessa de vantagem’.

A Operação Lama Asfáltica antecedeu a delação da JBS e investigou o pagamento de propina pelo grupo  ao governo do Estado em troca de incentivos fiscais. Os pagamentos eram realizados através de notas frias na contratação de maquinário e aquisição de livros paradidáticos.  

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