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'Chefe de cemitério' é considerado um serial killer pela polícia

Sem demonstrar arrependimento pelos crimes, Nando se considera um 'justiceiro' e acredita fazer um favor para a sociedade

25 NOV 2016
Anna Gomes
15h30min
Foto: Cordas usadas para matar. Foto: Anna Gomes

A frieza de Luiz Alves Martins Filho, o 'Nando', 31 anos, apontado como chefe de uma quadrilha que explorava sexualmente viciados em drogas espanta até as autoridades. Sem demonstrar arrependimento dos assassinatos, Nando é realmente considerado um assassino em série, um serial killer pela polícia.

A operação denominada 'Danúbio Livre' começou no último mês de setembro, até então, a polícia já prendeu 17 integrantes de um grupo responsável pela exploração sexual e tráfico de drogas no bairro Danúbio Azul, região norte de Campo Grande. Cada membro do grupo tinha uma função, mas o 'Nando' foi apontado como o 'chefão' da rede.

Ao todo, a polícia possui uma lista de 12 desaparecidos que seriam vítimas do grupo e mais um outro jovem que também sumiu, mas os policiais ainda não conseguiram fazer ligação da morte do rapaz com o bando de Nando. Das pessoas que haviam sumido, seis ossadas foram encontradas, todas no mesmo lugar, localizado no Jardim Veraneio, região do Parque dos Poderes, bairro próximo onde os suspeitos moravam.

Conforme a delegada que investiga o caso, Aline Gonçalves Sinnott Lopes da Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude) ela nunca tinha investigado tão 'macabro' envolvendo tantas mortes. Aline destacou que mesmo preso, Nando não se arrependeu dos homicídios e aponta que ele é uma pessoa que sabe manipular, inteligente e que não sentia remorso algum.

(Delegada nesta manhã. Foto: Anna Gomes)

"Em nenhum momento o Nando se arrepende dos crimes, ele é uma pessoa muito inteligente. Afinal, ele conseguiu manipular todo bairro por quatro anos. Os comparsas do Luiz dizem que ele ia todos os dias até o local onde enterrou as vítimas e olhava para o horizonte como se aquilo fosse o troféu dele. Não sente arrependimento e tenta desvalorizar as vítimas", ressalta a delegada.

Aline explica que todas as vítimas mortas e desaparecidas eram usuárias de drogas e são suspeitas de cometerem alguns furtos pelo bairro, crime este que Nando em seu depoimento diz não aceitar e se considerava um 'justiceiro', matando com as próprias mãos.

(Nando durante as escavações. Foto: Polícia Civil)

"Essas vítimas eram usuárias de drogas, muito viciadas que para sustentar o vício acabavam furtando, Nando tenta diminuir essas pessoas dizendo que elas são uma doença para a sociedade e mereciam morrer. Os seus comparsas chegaram a destacar que Nando até sentia um certo prazer em matar", disse.

Vítimas

As vítimas do grupo varia de adolescentes, mulheres e homens, Nando comandava o grupo há quatro anos e por colocar 'pânico' nos moradores do bairro, ele não era denunciado. O 'chefão' fazia orgia com as vítimas, a levava até o local do 'cemitério' com a desculpa de usarem drogas e lá as matavam estrangulas, as enterrando de cabeça para baixo em covas feitas por ele e seus comparsas.

Os considerados 'braço direito' de Nando que também participaram de alguns dos homicídios  foram seu namorado, Jean Marlon Dias, 20, o qual ambos tinham um relacionamento amoroso há dois anos. Wagner Vieira Garcia, 24, Talita Regina de Souza, 21 e Michel Henrique Vilela Vieira, 21. Todos participaram de mortes, mas apenas Nando de todas.

Nesta sexta-feira (25) durante uma coletiva de imprensa, a delegada apontou os motivos que supostamente essas vítimas teriam sido mortas conforme os relatos de Nando, que confessou os homicídios.

Um homem identificado até então apenas como 'Café' desaparecido a mais de um ano, foi morto por Jean, Michel e Nando. O motivo seria que a vítima supostamente devia a R$ de 170 para Nando.

Um outro homem, ainda sem identificação, conhecido pelo grupo apenas como 'Alemão' desapareceu há quatro anos, e morreu por vender uma televisão furtada. Ele foi executado por Jean e Nando e uma terceira pessoa, supostamente a dona do produto.

 

(Ossadas encontradas pela polícia)

Flavio Soares Correia de 25 anos, morto por Jean e Nando, o motivo seria pelo fato da vítima cometer furtos, o jovem não tinha passagem pela polícia. O chefão também destacou que matou Flávio por ele ser um homossexual muito 'afeminado'

Bruno Santos da Silva de 18 anos desaparecido desde 2013, furtava para comprar drogas e teria falado em um bar que fez uma brincadeira com o sobrinho de Nando que foi assassinado, fato este que irritou o 'chefão' que ele, juntamente com Wagner resolveram matar Bruno.

Ana Claudia Marques de 37 anos, estava desaparecida desde setembro. Foi morta por Nando e Jean, ela era traficante e o chefão do bando ressalta que ela 'desgraçava' o bairro. Ana deixa seis filhos.

Lessandro Maldonado de Souza, 13 anos, foi morto pela cunhada, a Talita, em agosto deste ano. O adolescente teria visto a mulher fazendo carícias em um traficante rival de seu irmão, o menino disse que contaria o que tinha visto. A cunhada resolveu matá-lo.

Alex Alves da Silva Santos, 18 anos, tinha o apelido de ladrão, mas sem passagem pela polícia.  Ele desapareceu em março deste ano e foi morto por Nando e Wagner, o motivo seria um furto de ferramentas no valor de R$ 70.

Eduardo Dias Limas de 15 anos, desapareceu em dezembro de 2015, foi assassinado por Michel e Nando porque furtou garrafas de depósito de Nando que estava querendo abrir um bar.

Aline Farias da Silva, 22 anos, morta em março deste ano, por Nando e Michel, ela era garota de programa e assassinada por receber e não fazer um programa com um homem, amigo de Nando.

Jhenifer Luana Lopes de 16 anos, vulgo Larissa, sumiu em Março de 2016 e foi morta por Nando e Michel por ser usuária e praticar furtos pelo bairro.

Daniel de Oliveira Barros de 28 anos, foi morto por praticar pequenos furtos, desapareceu em março de 2014.  Ele foi assassinado apenas por Nando.

Valdelei Almeida Junior de 20 anos morreu em março deste ano por outros motivos, mas Nando tentou matá-lo em 2013 e ele vai responder por tentativa de homicídio.

Investigações

A delegada ressalta que as investigações devem continuar e pede para que as famílias que tiveram seus parentes desaparecidos por circunstâncias parecidas, que procurem a polícia. 

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