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Cobrindo o rosto, PM aposentado que matou mulher diz que foi legítima defesa

O suspeito disse que agiu por legítima defesa, mas não chamou a polícia e nem buscou socorro após o crime

19 OUT 2016
Anna Gomes
13h43min
Foto: Geovanni Gomes

Com uma toalha cobrindo o rosto, o policial militar aposentado, Valdeci Ferreira, 55, suspeito de matar a tiros Kátia Campos Valejo, 35, prestou depoimento de quase duas horas no final da manhã desta quarta-feira (19), na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e disse que matou a mulher por legítima defesa e não chamou o socorro por ter ficado nervoso após o crime.

Conforme José Roberto Rosa, advogado do suposto autor, Valdeci conheceu Kátia há cerca de três meses em uma conveniência de Campo Grande. Durante esse tempo, eles tiveram alguns encontros, onde tomavam cerveja e mantinham relações sexuais, que segundo o suspeito, não envolvia pagamento.

Ainda conforme o advogado do suspeito, no dia do crime, na noite do último domingo (16),  Kátia teria ido até a residência de Valdeci, o suposto autor relatou em seu depoimento que enquanto estava no banho, Kátia pegou seu revólver, um calibre 38, e passou a ameaçá-lo, ele revidou, atirando na vítima.

Após matar a mulher que ficou com quatro perfurações, sendo um na cabeça e três no tórax, uma filha do suspeito chegou à residência do pai. Muito nervoso, a filha desconfiou que estava acontecendo algo com Valdeci e o chamou para ir até sua casa, onde ela reside com uma irmã.

Na casa das filhas, Valdeci não teria comentado sobre o crime, e disse que iria embora. Ainda desconfiando muito sobre o comportamento do pai, uma das filhas novamente foi até a casa do suspeito, onde o mesmo já não estava e encontrou o corpo de Kátia no banheiro. A polícia foi acionada e a arma foi apreendida.


(Arma usada no crime. Foto: Anna Gomes)

De acordo com a delegada Fernanda Felix Mendes da Deam, Valdeci foi indiciado por feminicídio. A polícia está no aguardo de laudos e ainda vai ouvir algumas testemunhas. O inquérito deve ficar pronto nos próximos 15 dias.

(Delegada que investiga o caso. Foto: Anna Gomes)

"Vamos ouvir o pai e o irmão da vítima, também os três policiais militares que atenderam a ocorrência no dia do crime, além das duas filhas do suspeito", disse a delegada.

A esposa de Valdeci morreu assassinada em 2003, o filho do suspeito também morreu ao ser alvejado anos depois. Após a morte da mulher e do filho, o suspeito passou a morar sozinho, já que suas outras duas filhas residiam em outra casa, porém, próxima a casa do pai.

Crime

O crime aconteceu na noite deste domingo (16), na Rua Tintoreto, no bairro Nossa Senhora das Graças, em Campo Grande. Os vizinhos afirmaram que ouviram os tiros, mas relataram que Valdeci fazia disparos de arma de fogo com frequência, eles não deram importância.

Uma vizinha alegou que, após os disparos, viu o policial militar deitado no sofá da casa, fazendo com que ela acreditasse que se tratava de mais um dia de disparos feitos pelo homem para o alto. Fato este que foi negado pelo advogado de Valdeci na manhã de hoje.

"A casa dele foi roubada uma vez e, depois disso, ele sempre fazia disparos de arma de fogo para o alto. Como era frequente ele atirar para o alto, pensamos que seria mais um dia como os outros, jamais imaginamos que ele tinha matado alguém", conta uma vizinha que prefere não se identificar por medo de represálias.

O caso segue sendo investigado pela Deam.

 

 

 

 

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