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Côrtes virou secretário de Cabral para continuar esquema de propina, diz MPF

Propina foi instituída desde que Sérgio Cabral entrou no governo, diz procurador José Augusto Vagos

16 MAI 2017
Globo
10h02min
Foto: Cristina Boeckel / G1 Rio

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, o secretário de saúde de Sérgio Cabral, Sérgio Côrtes, foi escolhido pelo ex-governador do Rio com o objetivo de dar prosseguimento ao esquema de propinas na área da saúde que existia no Into.

"A propina foi instituída desde que Sérgio Cabral entrou no governo, em 2007, e Sérgio Côrtes foi nomeado para transferir o esquema do Into para o sistema de saúde", destacou o procurador regional da República, José Augusto Vagos.

Nesta terça (16), o MPF denunciou o ex-governador, César Romero, Carlos Miranda, Carlos Bezerra, Sérgio Côrtes, Miguel Iskin e Gustavo Estellita por corrupção passiva e ativa e organização criminosa por irregularidades cometidas na Secretaria Estadual de Saúde, entre 2007 e 2014. Eles são acusados pela Força-tarefa Lava Jato no Rio de Janeiro de pagar ou receber propina para fraudar contratos da área de saúde.

De acordo com o MPF, a escolha de Côrtes e de outros aliados em cargos estratégicos tinha como objetivo conseguir captar para um esquema criminoso o maior calor possível nas secretarias consideradas mais "rentáveis".

"Ele direcionava licitações para ter um aumento dos gastos dentro da secretaria. E empresários conseguiam cartelizar as escolhas e enviar o dinheiro para a organização criminosa", explicou o procurador Rodrigo Timóteo.

De acordo com o procurador José Augusto Vagos, a investigação é apenas o começo para desvendar o esquema. "Essa investigação é a ponta do iceberg na corrupção da saúde no Rio de Janeiro", explicou Vagos.

Segundo a denúncia, cada contrato da secretaria de saúde tinha um desvio de verba de 10% destinado a propina. O ex-governador Sérgio Cabral ganhava 5% sobre os valores dos contratos fraudados, 2% eram para Sérgio Côrtes, 1% para Cesar Romero, 1% para alguém do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, que as investigações ainda estão tentando identificar. Outro 1% era usado para as despesas administrativas da quadrilha.

Cesar Romero é apontado pelas investigações como o "homem da mala". O ex-secretário teria realizados 35 aportes de R$ 400 mil a R$ 500 mil por mês para a quadrilha, somando cerca de R$ 16 milhões.

O esquema de propina era alimentado por Miguel Iskin, que comprava os agentes públicos. Levantamento da receita federal indica que as despesas da Secretaria de Saúde com importações foi de US$ 277 milhões. "Estamos dando início a um procedimento de cooperação internacional para rastrear o dinheiro pago a Miguel Iskin e a outros agentes", explicou a procuradora Marisa Ferrari.

 

 

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