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‘Estatuto’ revela que integrar o PCC pode custar R$ 750 mensais

Grupo rivaliza com o Comando Vermelho, facção surgida ainda no período da ditadura militar

14 JUN 2018
Celso Bejarano
11h07min
Foto: Geovanni Gomes/Arquivo

O temível PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa criada na primeira metade dos anos 1990, em presídio de Taubaté, interior de São Paulo, impõe regra a seus discípulos. E rigorosa. Quem descumpre, morre.

Operação nacional da Polícia Civil e do Ministério Público cumprem mandados de prisão em 14 estados do país, nesta quinta-feira (14), contra integrantes da facção. 

Conforme uma espécie de estatuto da facção, publicado ano passado na Revista Época, o PCC surgiu, inicialmente, com o propósito de proteger os direitos dos presos. Seria, segundo a cartilha, um meio de “combater a opressão” sofrida pelos encarcerados. 

No entanto, tais princípios perderam-se no caminho e, hoje, o PCC virou uma organização criminosa que mais amedronta no país. 

E por que a sigla PCC? Tal símbolo, diz o estatuto, é também conhecido como o “partido” e carrega consigo o número 1533 (soma da 15ª letra do alfabeto, o P com duas vezes a terceira letra do alfabeto, o CC, daí o PCC, Primeiro Comando da Capital).

As regras do tal “partido” devem ser seguidas rigorosamente por seus adeptos. Assim que é batizado, o novo integrante recebe uma cópia escrita a mão. Versão mais atual do estatuto revela que atualmente os seguidores da facção devem cumprir 18 regras.

Uma das medidas impostas pelas lideranças do PCC tem a ver com algo parecido com o dízimo, uma importância paga para manter viva a proposta da facção. Cobra-se do membro a soma mensal de R$ 750.

Mas o integrante do PCC tem tarefas que podem ser remuneradas. O PCC paga aos criminosos que agem por eles. Ou seja, na prática, o “partido” funciona como se fosse uma empresa. Contudo, as missões normalmente são cumpridas a bala.

Aqui em Campo Grande, por exemplo, casos recentes mostram a inflexibilidade do “partido” em questões de deslealdade ao estatuto.

Dia 14 de maio deste ano, Joice Viana de Amorim, de 21 anos, foi achada morta e com a cabeça separada do corpo num bairro afastado do centro de Campo Grande. Já no início da investigação, o PCC aparecia na relação dos suspeitos pelo bárbaro crime.

Logo, surgiu um vídeo com gravação de 43 segundos com a fala da jovem assassinada. Ela, que já teria seguido as fileiras do PCC, narra o motivo da sua morte. Joice teria trocado de lado, indo atuar para o CV, o Comando Vermelho, outra facção, rival do PCC.

O PCC teria como grande líder o assaltante de banco Marco Williams Camacho, cuja condenação supera a casa dos 300 anos de prisão. O CV teria como líder atual Luís Fernando Costa, o mais famoso traficante brasileiro, conhecido como Fernandinho Beira-Mar.

O CV teria sido criado em 1979, período da ditadura militar, no presídio de Ilha Grande, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, Surgiu por meio de troca de informações entre presos políticos e criminosos comuns. 

Pelo “estatuto”, o slogan do CV, é: “Paz, justiça e liberdade”. No texto, a facção usa um tom pseudopolítico, que diz: “a liberdade precisa ser conquistada pelo oprimido, e não dada pelo opressor”.

O CV não cobra mensalidade de seus seguidores. Tanto o CV quanto o PCC, segundo autoridades policiais, movimentam 40 toneladas de cocaína por ano.

Membros do PCC ou do CV atuam dentro ou fora dos presídios.

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