Construa tudo
Liceu
(67) 99826-0686

Quase um ano depois, PM que matou marido após briga familiar trabalha no Tribunal de Justiça

Itamara Nogueira alega legítima defesa, mas MPE discorda; audiência está marcada para outubro

9 JUL 2017
Thiago de Souza
13h00min
Itamara na época que foi presa por homicídio Foto: André de Abreu

Há quase um ano a tenente-coronel da Polícia Militar de MS, Itamara Romeiro Nogueira, 41, assassinava a tiros o esposo dela, o major Valdeni Lopes Nogueira, 47, após discussão na residência que moraram no Bairro Santo Antônio.

A primeira audiência do caso, que teve grande repercussão na cidade, só foi marcada para o dia 3 de outubro de 2017. Na ocasião, serão ouvidas as testemunhas de acusação, no total de dez pessoas.

No dia 21 de novembro, será a vez do juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, ouvir as testemunhas de defesa da policial.  

A suspeita pelo crime foi presa em flagrante, logo após o assassinato e teve a prisão preventiva decretada. Porém, no dia 19 de setembro, a ré foi solta por decisão do juiz Alexandre Tsuyoshi Ito, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. A justificativa, à época, foi que a policial tinha ''profissão lícita, residência fixa e ser ré primária''.

Itamara tem se apresentado à Justiça regularmente, conforme decisão judicial, e aguarda audiência do caso. Ela foi cedida para o policiamento do Tribunal de Justiça de MS, onde atua como ajudante de ordens.

(Major Valdeni e a ex mulher que a assassinou após briga)

O caso

Conforme o processo, no dia 12 de julho de 2016, Itamara discutia com o marido dentro de sua residência. Ela alega que era vítima de violência doméstica e ele a teria ameaçado de morte.

Na ocasião dos tiros, os dois teriam brigado por conta de uma viagem que fariam ao Nordeste. Há relatos de parentes da vítima  que Itamara seria ciumenta, fato que causava constantes desavenças entre o casal.  
 
Valdeni, segundo a ré, teria  ido até o carro que estava na garagem para pegar uma arma e matá-la, momento em que ela sacou da pistola .40 e atirou contra ele. O major foi socorrido e levado para a Santa Casa em estado grave, onde morreu minutos depois.

A tenente coronel alega legítima defesa, porém o Ministério Público entendeu que a mulher teria outras maneiras de solucionar o caso. Primeiro, porque não foi encontrada na cena do crime a arma do marido, que ela alega que seria usada contra sua vida. Outra, que ela poderia ter advertido o esposo antes de atirar contra ele e/ou atirado contra ele em partes do corpo que não causariam ferimentos letais.

Outro caso

Outra ocorrência envolvendo policiais militares ocorreu no último dia 1º, ocasião em que o sargento da PM, César Diniz, atirou e matou o tenente aposentado da PM, João Além Rocha, após uma discussão sobre a venda de um carro.

No crime, que ocorreu na Avenida Gualter Barbosa, no Bairro Nova Lima, o suspeito alega legítima defesa, já que a vítima teria lhe dado um tapa na cara e sacado uma arma para matá-lo.

Houve troca de tiros que, inclusive, deixou um pedestre que passava próximo ao local ferido na barriga. Ainda não se sabe de qual arma saiu o disparo que atingiu Gustavo Oliveira Mendonça, mas testemunhas afirmam que, na hora que foi alvejado, era o sargento Diniz que estava na direção da segunda vítima.

O caso é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia, na Avenida Mascarenhas de Morais, em Campo Grande.

(Briga entre PM's terminou com tenente morto e jovem ferido)

O suspeito se apresentou dois dias depois do ocorrido e vai responder o processo em liberdade.

Veja também