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'Juiz do tribunal do crime' manda matar por videoconferência mesmo de dentro da cadeia

Todas as mortes realizadas pelo PCC são decididas pelo 'juiz' que está preso

5 OUT 2017
Anna Gomes e Dany Nascimento
10h06min
Foto: Divulgação

Durante a operação 'Sintonia' realizada na manhã desta quinta-feira (5),  contra o crime organizado nas cidades de Três Lagoas e Campo Grande, até o juiz do PCC (Primeiro Comando da Capital) teve sua cela revistada no Presídio de Segurança Máxima.

Segundo o delegado Cleverson Alves, que participa desta operação, por volta das 5h30 de hoje, o Batalhão de Choque entrou na penitenciária máxima da Capital, para cumprir um mandado de prisão preventiva contra João Luiz de Souza, vulgo Dimas, de 34 anos.

João seria o juiz do PCC e todas as mortes realizadas pela facção criminosa só acontece após sua liberação. Ele está preso na cela 17 do pavilhão dois do presídio, onde foram apreendidos vários celulares, carregadores dos aparelhos, armas artesanais, além de drogas prontas para o comércio.

(Objetos apreendidos na cela do 'juiz')

Ainda conforme Cleverson, João foi o mandante da morte de um jovem identificado como Devid, mais conhecido como Caveirinha. Ele foi assassinado em julho deste ano, quando seu corpo foi encontrado em um terreno baldio da cidade de Três Lagoas, município distante aproximadamente 330 quilômetros de Campo Grande, onde também acontece a operação.

João seria o líder do PCC em Mato Grosso do Sul. Conforme a polícia ele é o juiz do tribunal do crime no Estado. Esse suposto tribunal é formado por mais 12 integrantes da facção que conversam por videoconferência, independentemente se estão dentro dos presídios. Mesmo com mais participantes da facção, quem supostamente oferece o aval final é o Dimas.

(Delegado Cleverson Alves)

"Quando uma pessoa deve algo para a facção, ela é 'julgada' pelo tribunal do crime via videoconferência. Eles comentam sobre a vida criminosa do envolvido e decidem o que fazer. No caso do Caveirinha, eles resolveram matá-lo", disse o delegado.

Como João já se encontra preso, ele vai continuar na cadeia e vai responder também pelo assassinato de Caveirinha. Se Dimas tiver algum benefício, ele será cortado.

Operação

A operação visa combater o crime organizado de dentro dos presídios de Três Lagoas e o de Segurança Máxima de Campo Grande.

A ação é realizada pelo SIG (Setor de Investigações Gerais), PM (Polícia Militar), Garras (Delegacia de Repressão de Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros) e Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).

(Operação realizada no presídio de Três Lagoas nesta manhã. Foto: JP News)

Estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão nos presídios de Três Lagoas e na Máxima, na Capital. Os presos supostamente estariam comandando homicídios de dentro da cadeia.  

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