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Juiz peruano determina prisão de ex-presidente sob acusação de receber propina da Odebrecht

Alejandro Toledo, que governou o país entre 2001 e 2006, é suspeito de receber US$ 20 milhões em propina da construtora brasileira Odebrecht

10 FEV 2017
Globo
07h38min
Foto: Karel Navarro/

O juiz peruano expediu nesta quinta-feira (9) ordem de prisão, nacional e internacional, do ex-presidente Alejandro Toledo, que governou o país entre 2001 e 2006, por suspeita de envolvimento em cobrança de propina de US$ 20 milhões da construtora brasileira Odebrecht.

O juiz Richard Concepción, titular do Primeiro Juizado de Investigação da Sala Penal Nacional, acolheu o pedido de prisão preventiva solicitado pelo promotor Hamilton Castro, que imputa ao ex-presidente os crimes de tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Toledo está fora do Peru. Ele tem residência na Califórnia, Estados Unidos, onde trabalha na Universidade de Stanford. Aparentemente, esteve no último final de semana em Paris, França.

A promotoria pediu, na terça (7), a um tribunal a prisão por 18 meses do ex-presidente Toledo, acusado de receber subornos milionários da Odebrecht.

Toledo responde como cidadão comum, pois sua imunidade parlamentar como ex-presidente venceu cinco anos após ter deixado o cargo.

Apoiada em um testemunho do ex-gerente da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, sua empresa pagou US$ 20 milhões como propina ao governo de Toledo para realizar a construção da estrada interoceânica que liga o Peru ao Brasil.

Nos documentos do Ministério Público divulgados pela imprensa peruana, Barata conta que o intermediário foi o então chefe de segurança de Toledo, o israelense Avraham Dan On.

Ele assegura que o dinheiro foi depositado nas contas do empresário peruano-israelense Josef Maiman, amigo do ex-presidente e que chegou a ser citado na lista da revista Forbes.

Suborno na América Latina

A Odebrecht carrega uma dívida cada vez maior desde que seu envolvimento nos crimes apurados na operação Lava Jato veio à tona. Em dezembro, o grupo brasileiro reconheceu a prática de suborno na América Latina.

A Odebrecht admitiu o pagamento de US$ 29 milhões a funcionários peruanos em troca de contratos para obras no país entre os anos de 2005 e 2014, segundo documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ).

No período, a construtora participou de mais de 40 projetos no Peru, que envolveram cerca de US$ 12 bilhões em gastos públicos durante os governos de presidentes Alejandro Toledo, Alan García e Ollanta Humala.

No relatório de administração da Odebrecht de 2016-2016, a empresa cita entre seus principais negócios obras dos projetos de Irrigação Olmos e Chavimochic, da Central Hidrelétrica Chaglla, da Vía de Evitamiento de Cusco e do Porto Matarani. A empresa também administra concessões de rodovias no Peru.

Depois dos brasileiros, os peruanos compõem a maior parte do quadro de trabalhadores da empresa. Dos 128 mil funcionários da empresa no grupo, cerca de 10 mil são peruanos.

Propina em 12 países

Em acordo de leniência firmado com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, derivado das investigações da Lava Jato, a Odebrecht admitiu ter pago em propina US$ 788 milhões entre 2001 e 2016 e a Braskem, US$ 250 milhões entre 2006 e 2014, a funcionários do governo, representantes desses funcionários e partidos políticos do Brasil e de outros 11 países. Para o órgão dos EUA, é o "maior caso de suborno internacional na história".

A construtora brasileira pagou propina para garantir contratos em mais de 100 projetos em Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela, segundo o Departamento de Justiça dos EUA. Na Colômbia, a empresa admitiu ter pago mais de US$ 11 milhões em propina entre 2009 e 2014.

 

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