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Candidato paga cabos com 'cheques voadores' e calote vira caso de polícia em MS

Cerca de 700 cabos eleitorais, posto de gasolina e salão ficaram no prejuízo; candidato recebeu menos de 500 votos

10 OUT 2018
Amanda Amaral e Kerolyn Araújo
15h05min
Foto: Reprodução/Imagem na notícia: Facebook

Centenas de pessoas denunciam não ter recebido o dinheiro combinado para trabalharem na campanha de Edilso Vieira, candidato a deputado estadual pelo Podemos. O caso foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Piratininga por parte dos cerca de 700 cabos eleitorais que alegam o prejuízo.  

A ‘vingança’ pelo calote apareceu nas urnas, já que o postulante recebeu 490 votos e ficou distante da conquista pela cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Vieira é empresário de Amambai e foi candidato à prefeitura do município em 2016. 

Na véspera eleição, Vieira teria dado cheques sem fundo aos colaboradores, alguns com valores de R$ 10 mil. Nem o valor inicial e nem o extra foram pagos e, confrontado, o candidato teria dito que não poderia pagar, pois, pela data, configuraria ‘crime eleitoral’. 

No início da tarde desta quarta-feira (10), ao menos quatro mulheres aguardavam mais colegas na mesma situação para registrar a queixa na delegacia. Os denunciantes afirmam ainda que posto de combustíveis e o salão utilizado para reuniões de campanha também ficaram sem os acertos.

As tentativas de cobrança a Vieira, relatam, foram todas em vão. Foram contratadas para trabalhar de 10 de agosto até 15 de setembro, período pelo qual ganhariam de 250 a 350 reais. Boa parte das vítimas são do interior do Estado, e eram divididas em grupos para cada frente de trabalho.

O trabalho consistia em visitas a bairros, idas a reuniões, bandeiradas e adesivagens, e envolvimento em publicações em redes sociais através de curtidas, comentários e compartilhamentos de conteúdo a favor do candidato.

Contudo, não teriam recebido sequer dinheiro de transporte público ou água, no serviço que muitas vezes era sob sol quente sem horários definidos. Ainda, foram solicitados a cumprir tempo extra de campanha, além do dia 15 de setembro.

Enganados

“Tem um áudio dele ameaçando as pessoas, algumas pessoas tinham que viajar com a própria gasolina, tiravam dinheiro do próprio bolso”, diz uma das denunciantes.

A enfermeira Luzineide Maria Alves, 52 anos, disse que não está indo atrás por conta do dinheiro, mas em busca de uma punição à má-fé do candidato. “É para ele parar de fazer isso”, diz.

Outra colaboradora, a dona de casa Ana Carla Sousa Pereira diz que tinha esperança da política ser renovada e se decepcionou. “Não imaginei que isso poderia acontecer, por várias vezes deixei filha pequena com vizinha para atender às ordens da campanha”, relata.

Outro lado

A reportagem tentou entrar em contato com o candidato Edilso Vieira, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

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