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Ordem de massacre em presídio partiu de Campo Grande

A ordem foi dada por chefões do tráfico que cumprem pena no presídio federal da Capital

9 JAN 2017
Dany Nascimento
09h40min
Foto: Arquivo

Autoridades federais confirmaram que a ordem do massacre que resultou na morte de 54 presos no Complexo Anísio Jobim, em Manaus (AM), partiu do presídio federal de segurança máxima de Campo Grande, por chefões de tráfico que cumprem pena no local.

Os chefes da facção criminosa coordenam o tráfico de drogas da região norte do país e o principal nome citado pela polícia é do traficante José Roberto Fernandes Barbosa, 44 anos,  conhecido no mundo do crime como Zé Roberto da Compensa.

Ele foi encarcerado através da Operação La Muralla, em 2015, com outros 16 chefes da facção. Eles foram transferidos para prisões federais fora do Amazonas, no Regime Displinar Diferenciado (RDD), em que o criminoso fica isolado.

Eles conseguiram ter direito a visita e de acordo com autoridades, a ordem que chegou a Manaus foi dada por bandidos do terceiro escalão da quadrilha, para matança de presos de uma facção rival, da região Sudeste, que estaria em disputa com a quadrilha amazonense pelo controle do tráfico na região Norte.

De acordo com o site Globo, o presídio fica localizado em uma área estratégica: a rota do Solimões, por onde é escoada a droga produzida no Peru e na Colômbia, maiores produtores mundiais de cocaína. A rota pelo rio é um dos principais corredores do tráfico no Brasil e é um esconderijo.

"Basicamente o que a gente tem conhecimento é a utilização de saída da calha principal do rio, utilizando igarapés, furos e utilizando a navegação no período noturno", afirmou o capitão dos portos de Tabatinga (AM), Rogério Amorim. O Rio Solimões tem 1,6 mil quilômetros, entre a cidade na Tríplice Fronteira e Manaus.

A rebelião aconteceu no primeiro dia de 2017, no dia de visita aos detentos. Um os policiais contou ao programa Fantástico da Rede Globo, que percebeu sinais de que algo aconteceria no momento em que os presos ordenaram que as visitas deixassem o local o mais rápido possível. 

"A gente começou a perceber porque os presos começaram a ordenar que as visitas saíssem mais breve possível. 'Acabou a visita, acabou a visita, vamo, bóra, bóra bóra'", afirmou o policial que não quis se identificar.

 Segundo o policial militar, armas, celulares e drogas entram no presídio sem nenhum controle. Imagens de 2013 mostram os presos formando fila para consumir cocaína dentro do complexo.

No vídeo, é possível ver que não há nem a preocupação de se esconder. Os homens olham pra câmera, brincam, se drogam e voltam pra fila. As armas teriam entrado pelo mesmo caminho que as drogas: o regime semiaberto.

"O complexo Anísio Jobim tem um ponto vulnerável. Se você vê esse muro aqui, essa parte aqui é o semiaberto, tudo, até lá atrás, e é colado com o fechado. O semiaberto tem arma, tem munição, tem droga, o semiaberto tem tudo. O semiaberto é como se fosse um fornecedor para o regime fechado".

 

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