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Para pintora, apreensão de obra pela polícia estimula reflexão sobre pedofilia

Denúncia foi feita por deputados estaduais de MS à delegacia da Criança e Adolescente

15 SET 2017
Thiago de Souza
09h11min
Ropre diz que sua obra incomoda porque 'faz pensar' Foto: Reprodução

A artista mineira Alessandra Cunha classificou como 'absurda' a apreensão de seu quadro, intitulado 'pedofilia'. Ela disse que a perseguição à exposição é porque o quadro incentiva o pensamento crítico na sociedade. A obra foi levada para a Delegacia da Criança e do Adolescente, após queixa de incentivo à  pedofilia, nesta quinta-feira (14).  

(Mesmo após polêmica, exposição no Marcdo recebe visitas)

A artista, que se apresenta como o nome de Ropre, diz que sua intenção foi lançar algumas ideias e questionar o machismo, o domínio errado dos homens e a própria pedofilia.

Ropre acredita que o título da obra 'pedofilia' é que fez chamar a atenção dos deputados, e não as imagens em si. No quadro, uma menina pintada de rosa está no meio de dois homens com o pênis de fora e próximo a ela.

''Só porque tem aquela palavrinha lá, acham que é um incentivo. Meu Deus, a coisa é tão tabu, que a gente não pode nem escrever o termo [pedofilia]''. ''Se o título fosse outro...'', refletiu''.

(Artista diz que quadro só foi apreendido por se chamar 'pedolifia' - Foto: Reprodução)

Embora a exposição 'Cadafalso' tenha gerado polêmica, a artista disse que ainda não foi contatada por nenhuma autoridade do estado.
Sobre a polêmica, a pintora diz que é óbvio que os parlamentares do estado se aproveitaram da polêmica do caso Santander Cultural, em Porto Alegre.

''Minhas obras estavam expostas desde julho, e só ontem perceberam?'', questionou.

Reflexão

Alessandra disse que, se há algo de positivo nessa história, é que o quadro gerou polêmica justamente porque faz as pessoas pensarem, algo que incomoda os conservadores.

''De certa forma isso foi positivo sim. Serviu para aguçar. Faz parte, é vida que segue'', concluiu Cunha.

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