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Pivô de escândalo dos ‘cheques em branco’ estava trabalhando em campanha política

Preso no Pará, Ronan Feitosa ingressou com pedido de liberdade

17 OUT 2016
Diana Christie
12h50min
Ronan em audiência antes do julgamento no TJ-MS Foto: Dany Nascimento

Preso no interior do Pará, o ex-assessor Ronan Edson Feitosa de Lima alega que deixou Campo Grande porque não tinha dinheiro e encontrou uma oportunidade de emprego no outro estado para trabalhar em uma campanha política. Pivô do escândalo conhecido como ‘cheques em branco’, ele foi preso em Tracuateua, município 215 quilômetros ao norte de Belém (PA), em 20 de setembro.

“Ocorre que o acusado sempre trabalhou no distrito da culpa, porém devido à alta repercussão dos acontecimentos e estando abalado com as notícias, o acusado ficou desempregado e sem dinheiro. Precisando trabalhar, pois vive somente com os seus ganhos, eis que apareceu uma oportunidade para trabalhar na campanha política do vereador ‘Carlinhos’ no Estado do Pará”, argumenta a defesa.

A advogada Ana Cláudia Rodrigues Rocha ingressou com pedido de liberdade para Renan na última quinta-feira (13). De acordo com ela, o réu precisou aceitar a oferta de emprego para ter condições de pagar a defesa. No início de agosto, o advogado Hugo Melo Farias deixou o processo, o que chegou a ser considerado pelo TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) como manobra para atrasar o andamento da ação.

“Ocorre que devido ao acusado estar passando por grandes constrangimentos de ordem material e moral, eis que o acusado não tendo condições de pagar o advogado que havia contratado, resolveu aceitar o emprego para tão logo fosse solicitado sua presença tivesse dinheiro para pagar novo advogado, porém nunca foi sua intenção fugir ou deixar de comparecer”, justifica a defesa.

Cheques em branco

Ronan Feitosa é acusado pelo Ministério Público Estadual de atuar juntamente com o ex-prefeito Gilmar Antunes Olarte “fazendo ofertas de ajuda política, empregos futuros e outras participações no executivo municipal” para obter “cheques bancários, que passaram a descontar com agiotas ou em factorings [compra de ativos financeiros], deixando sem fundos as respectivas contas bancárias, causando prejuízos aos seus titulares”.

Ele responde pela prática de crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa, sendo que já tinha sido preso cautelarmente no início do procedimento, estando em liberdade provisória. Para a Justiça, o desaparecimento dele, “mesmo diante da renúncia de seu defensor”, seria uma “clara demonstração de que pretende obstruir a marcha processual e dificultar a aplicação da lei penal”.

'Do outro lado do mundo'

Já a defesa garante que “tudo não passou de um mal entendido” entre a família de Ronan e o oficial de justiça que, “encontrou os familiares apreensivos e com medo, como ele havia aceitado o emprego fora da cidade, eis que o irmão disse ‘do outro lado do mundo’. Ocorre que Ronan não soube dessa diligência do oficial de justiça até sua residência e acreditou que voltando assim que conseguisse o dinheiro teria tempo hábil para nomear novo patrono”.

A advogada também afirma que “o réu em liberdade não coloca em risco garantia da instrução criminal, uma vez que este instituto também restou prejudicado, pois não restou provado nos autos que o réu em liberdade, ameaçou qualquer das testemunhas, tentou subornar o perito, muito menos ameaçou o juiz ou promotor de justiça que funciona no processo, e muito menos subtraiu documentos imprescindíveis à comprovação do injusto penal etc”.

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