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PMs do alto escalão e policiais civis também estão envolvidos na jogatina em MS

Operação da PF, dez anos atrás, descobriu que coronéis e delegado recebiam R$ 10 mil de propina

18 MAI 2018
Celso Bejarano
07h00min
Foto: Geovanni Gomes

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou o prosseguimento da ação judicial contra um delegado, investigadores da Polícia Civil e policiais militares, entre os quais coronéis supostamente envolvidos em exploração de máquinas caça-níqueis, quadrilha desmantelada no âmbito da Xeque-Mate, operação da Polícia Federal, em junho de 2007, quase 11 anos atrás.

Ontem, quarta-feira (16), o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, braço do Ministério Público de MS, divulgou a prisão de 20 policiais militares, entre eles comandantes de pelotões, por envolvimento numa máfia que contrabandeava cigarros.

Na questão dos militares, policiais civis e até médico, implicados na exploração de máquinas caça-níveis, a ação judicial havia sido rejeitada e isso aliviou o histórico criminal de ao menos 100 pessoas indiciadas à época, em 2007. 

O próprio TJ-MS foi quem recusou a denúncia por enxergar ilegalidade nas escutas telefônicas autorizadas judicialmente e que comprometera os envolvidos.

Agora, a corte estadual reformou a determinação e a ação, ainda que transcorrido mais de uma década, segue normalmente.
As investigações serão retomadas pelo juiz da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, Henry Marcel Batista de Arruda.

Recheia a relação dos réus por improbidade administrativa o ex-deputado estadual e coronel da PM aposentado José Ivan de Almeida, 61, vulgo coronel Ivan; o major já expulso da PM, Sérgio Roberto de Carvalho, 60; o PM aposentado Maurício Maria Marques Niveiro, 52, conhecido como Xuxa e os coronéis PMs Edson Gonçalves da Silva, o coronel Edson, 65 (aposentado) e Marmo Marcelino Vieira de Arruda, 60.

Entre os policiais, viraram réus do processo que investiga os ligados às máquinas caça-níqueis o delegado da Polícia Civil, Fernando Augusto Soares Martins, 61 e o investigador aposentado Odinei de Jesus Leite, 68.

Completam o elenco dos investigados por improbidade administrativa o médico Hércules Mandetta Neto, 61;  o advogado João Alex Monteiro Catan, 62; Edno Medina Marquetti, 59, conhecido como inspetor Marquetti, ou Alemão, que seria servidor público; o corredor de gado Ari Silas Portugal, 52; o comerciante José Eduardo Abdulahad, 59, o Zeizo ou Tucano; o ex-candidato a prefeito de Campo Grande, Nilton César Cervo, 63 (já morto) e o filho dele Victor Emanoel Cervo.

À época das prisões, o delegado e os coronéis já recebiam salários que beiram a casa dos R$ 10 mil.

Anos atrás, a Justiça Federal, que também agiu no caso, inocentou o delegado Fernando Martins.

De acordo com as investigações, os envolvidos recebiam uma espécie de comissão para proteger o esquema da máfia da jogatina. A retribuição aos policiais superava a cifra de R$ 10 mil segundo a denúncia do Ministério Público Estadual. O médico seria dono de máquina e pagador propina.
Em trecho da denúncia, é dito que a PF descobriu os coronéis Marmo e Edson pagavam gorjetas aos policiais civis. Já o inspetor Marquetti endurecia a fiscalização em integrantes que não pertenciam a que envolviam os policiais.

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