Nilson Pugatti
(67) 99826-0686
Camara municipal

Operação Echelon mira membros do PCC já encarcerados; uma mulher foi presa na Capital

Operação ocorre em MS e outros 13 estados do Brasil; ideia é desarticular organização criminosa que manda matar e assaltar de dentro da cadeia

14 JUN 2018
Celso Bejarano e Anna Gomes
09h46min
O delegado Celso Marques Caldeira Foto: Anna Gomes

Policiais civis e o Ministério Público de 14 estados brasileiros, Mato Grosso do Sul um deles, deflagraram na manhã desta quinta-feira (14) uma das maiores investidas contra o PCC, Primeiro Comando da Capital, a mais forte organização criminosa do país.

Em todo o Brasil, são cumpridos 59 mandados de busca e apreensão e 75 mandados de prisão. O PCC, segundo a própria polícia, promove rebeliões, manda matar, assaltar e sequestrar por determinação de seus líderes, a maioria cumprindo pena em presídios tidos como de segurança máxima.

A Echelon, nome da operação, é cumprida desde às 6h desta manhã. Aqui em MS, os mandados de buscas e apreensão e de prisão têm sido efetivados em Naviraí, Dourados, Campo Grande, Nova Andradina e Coronel Sapucaia, cidade situada na fronteira com o Paraguai.

Em Campo Grande, no conjunto habitacional Dom Antônio Barbosa, os policiais iam cumprir mandado de busca e apreensão na casa de Ioneide Benites Fontes, 37, mas lá os investigadores apreenderam arma de fogo e porções de droga. Ioneide, ligada ao PCC, foi presa por causa disso.

Ao todo, em Campo Grande, os investigadores cumpriram três mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão contra pessoas que já cumprem penas.

Líderes do PCC, por meio de telefone ou de recados mandados por parentes atuam na criminalidade como se tivessem libertos. Eles escolhem quem deve morrer e planejam assaltos, de acordo com os investigadores paulistas.

Mulher presa na operação - Foto: Anna Gomes

Em Naviraí, os policiais efetivaram três mandados de busca e apreensão e um de prisão contra envolvido já encarcerado.

Em Dourados, os policiais foram até o presídio cumprir o mandado de prisão contra um dos integrantes do PCC que já está preso por tráfico de droga.

Segundo o delegado da Polícia Civil de Presidente Prudente (SP), Celso Marques Caldeira, que acompanha a operação de Campo Grande, em Nova Andradina, os investigadores iriam cumprir mandado de busca e apreensão contra um suspeito de ligação com o PCC, mas descobriram que o alvo tinha sido preso em data recente, em Campo Grande, por tráfico de droga.

Já em Coronel Sapucaia, disse o delegado, os policiais foram à casa de um homem cumprir mandado de busca e apreensão, mas lá souberam que o suspeito tinha fugido para o Paraguai.

Pela geografia das localidades onde cumprem-se os mandados nota-se que o PCC age nos quatro cantos de Mato Grosso do Sul.

Ainda de acordo com o delegado paulista, o início das investigações contra o PCC ocorreu em junho do ano passado, “a partir de fragmentos de manuscritos encontrados nos esgotos do Presídio de Segurança Máxima de Presidente Venceslau-SP por agentes penitenciários, a Polícia Civil foi acionada para investigar, e, com a identificação técnica de sete líderes de organização criminosa, as investigações policiais avançaram para revelar a existência da célula Sintonia de Outros Estados e Países”.

Em nota emitida à imprensa, a polícia paulista informou ainda que “os trabalhos revelaram, até o momento, o envolvimento de 103 integrantes, dos quais 75 serão presos na data de hoje (14/06/2018) em 14 Estados da Federação (SP; MS; PR; RS; PA; AL; MG; GO; TO; RR; RN; AC; AP e MA). Alguns, por já se encontrarem presos, terão os mandados cumpridos nas respectivas penitenciárias. Ao mesmo tempo, policiais civis de São Paulo, em conjunto com policiais civis dos Estados cumprem 59 mandados de busca e apreensão”.

Veja também