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Puccinelli recebia dinheiro de propinas em espécie no próprio apartamento, diz delator

Reuniões eram realizadas pontualmente às 6h da manhã apenas entre Puccinelli e Ivanildo, segundo a delação premiada

14 NOV 2017
Diana Christie
17h00min
Foto: Wesley Ortiz/Arquivo

O ex-governador André Puccinelli (PMDB) recebia o dinheiro de propinas de quatro frigoríficos, na maioria das vezes em espécie, e sempre em seu apartamento em reuniões realizadas pontualmente às 6h da manhã. É o que revela o delator Ivanildo Cunha Mirando, conhecido como Ivanildo Cervejeiro.

Na delação premiada, ele conta que foi convidado pelo então candidato ao governo para comparecer à ABIEC (Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne), em São Paulo, durante a campanha de 2016. No local, os dois foram recebidos pelo ex-senador Antonio Russo Neto e os filhos dele, Miguel e Roberto Russo.

Na época, Roberto Russo queria ser suplente da então candidata à senadora Marisa Serrano e a viagem era para convencer o ex-senador a conversar com os frigoríficos da associação (Bertin, Independência, JBS e Marfrig) para que realizassem doações de campanha a André Puccinelli.

“Antonio Russo disse que manteria contato com tais empresas durante reuniões. O colaborador e André Puccinelli retornaram à ABIEC cerca de uma semana depois, quando foram definidas as doações a serem realizadas por tais empresas. Pelo que se recorda o valor total de doações de campanha das referidas quatro empresas totalizavam cerca de R$ 6 milhões”, diz relatório do MPF (Ministério Público Federal).

Ivanildo não se recorda quais eram os valores de doações de cada empresa, mas destaca que  foram os próprios frigoríficos que solicitaram entregar parte do dinheiro não oficialmente “principalmente para evitar que outros políticos também solicitassem doações para suas campanhas”.

Durante tal reunião, Antonio Russo ficou responsável por providenciar tais doações, que foram recebidas pessoalmente por Ivanildo. Ele relata que realizou cerca de três viagens em automóvel próprio de Campo Grande até a ABIEC, em São Paulo, onde recebia o dinheiro de um senhor idoso designado pelo ex-senador.

Ivanildo pegava o dinheiro no interior de caixas de papelão. “Chegando a Campo Grande, o colaborador entregava o dinheiro pessoalmente a André Puccinelli no apartamento de residência dele na Rua Euclides da Cunha, Edifício Champs EIyseé. As entregas de dinheiro a André Puccinelli eram sempre feitas na sala do apartamento dele, estando presentes apenas o colaborador e André Puccinelli”, diz a delação.

De acordo com o cervejeiro, o ex-governador recebeu doação no valor R$ 500 mil da JBS e, posteriormente às eleições, recebeu R$ 400 mil do frigorífico Bertin, entregues pelo próprio Natalino Bertin em duas parcelas de R$ 200 mil, supostamente para o “pagamento de dívidas de campanha”.

O próprio Ivanildo teria emprestado R$ 1 milhão para a campanha de Puccinelli, mas ao invés de ganhar um cargo no governo após a eleição, ele foi escolhido para ser o ‘operador do esquema’. Assim, sempre passava no apartamento do ex-governador entre os dias 8 e 10 de cada mês, recebia uma lista de nomes de beneficiários e recolhia o dinheiro dos frigoríficos Mafrig, Bertin, JBS e Independência.

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