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Quadro tido como incentivo à pedofilia é apreendido pela Delegacia da Criança

Obra vai ser periciada, segundo a polícia, e até depoimento da artista está cogitado

14 SET 2017
Thiago de Souza
17h51min
Quadro contra pedofilia é tido como incentivador de abuso Foto: Reprodução

A tela  intitulada 'Pedofilia' foi aprendido, na tarde desta quinta-feira (14), pelo delegado Fabio Sampaio, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, em Campo Grande. O obra é tida como um incentivo à pedofilia, motivo de críticas de deputados estaduais por MS.

A obra da artista mineira Alessandra Cunha já está na DPCA e agora deve passar por perícia. Conforme o titular da delegacia, Paulo Sérgio Lauretto, a obra foi apreendida por relacionar sexo a crianças.

Ainda conforme o delegado, os demais quadros foram mantidos. Ele explicou também, que o local não tinha restrição de acesso e qualquer um, de qualquer idade, poderia ter acesso às obras.As demais pinturas, segundo a polícia, ficaram no museu, mas agora estão em área restrita a maiores de 18 anos.

Lauretto também explicou que havia uma indicação de idade, acima de 12 anos, para a visitação da exposição. ''Mas isso é uma indicação, não é algo proibitivo'', ressaltou.  

(Apreensão ocorreu após denúncia de parlamentares - Foto: Reprodução)

O quadro, de Alessandra Cunha estava exposto no Museu de Arte Contemporânea em Campo Grande desde julho, mas só hoje virou alvo dos deputados estaduais que integram a chamada 'bancada da família'. Eles foram até a DPCA e prestaram queixa por incentivo à pedofilia.  

Essa é a segunda vez que a artista mineira expõe na cidade. A série de quadros pintados por ela é uma crítica aberta ao machismo e à pedofilia. As demais obras podem ser conferidas na exposição que vai até dia 17 de setembro.

Reação

A coordenadora do Marco (Museu de Arte Contemporânea), Lucia Monte Serrat Bueno, criticou fortemente o repúdio às obras, o que chamou de 'censura'. Ela disse que a crítica reflete um pensamento retrógrado e ignorante.

Lúcia explicou que a Exposição “Cadafalso” fica de portas fechadas a pedido da própria artista e possui um aviso na porta explicando que o conteúdo é impróprio para menos de doze anos. “Nossas atendentes ficam recebendo os visitantes. Avisam que não pode entrar crianças. Nós orientamos. Fazemos a discussão. O objetivo do trabalho é fazer uma discussão sobre o assunto com pertinência. A gente não está para agredir ninguém. É um trabalho artístico muito bonito”, disse.

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