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Ritual usado por 'Nando', enterrar de cabeça para baixo é recado a inimigos e humilhação de vítimas

Em outro crime, cadáver foi encontrado 'castrado' e enfiado em poço na MS-040

12 JUL 2018
Thiago de Souza
07h00min
Nando indicou à polícia onde as vítimas foram enterradas Foto: Arquivo - TopMidiaNews

Enterrar suas vítimas de cabeça para baixo era a 'marca registrada' de Luiz Alves Martins Filho, o ‘Nando’, assassino em série que teria executado ao menos 13 pessoas no bairro Danúbio Azul, em Campo Grande. Para a polícia, esse modo de sepultar as vítimas significa um recado aos inimigos e também forma de menosprezar ainda mais a vítima.

Conforme explicou o delegado  Sérgio Luiz Duarte, quando o assassino coloca as pessoas de cabeça para baixo, ele quer 'incutir certo medo, um certo poder que eles acreditam que tenham na região de atuação'.

Embora não tenha investigado nenhum caso como esse, Duarte diz que é sabido no meio policial que esse modo de dar fim aos rivais tem a intenção de aumentar mais sua satisfação em menosprezar aquele que já foi 'julgado' e morto.

Nando aponta localização de cadáver. (Foto: Reprodução TopMídiaNews)

A Polícia Civil e o Ministério Público apontam que Nando agiu assim com as 13 vítimas, todas sepultadas em um terreno baldio, usado como lixão no bairro, e tido como o 'cemitério particular' do criminoso.

Para Nando, líder do tráfico de drogas na região, suas vítimas eram pessoas impuras e por isso deveriam ser descartadas. Ele se aproveitava do vício das pessoas e dava o entorpecente em troca de sexo, inclusive com adolescentes. No entanto, aqueles que praticavam furtos na região eram 'julgados' e, com ajuda de comparsas, assassinados pelo 'chefe'.

A polícia apurou, ainda em 2016, que Nando ia com frequência ao 'cemitério' contemplar a paisagem como forma de orgulho pelo que fez.

No último dia 29, Nando foi condenado a 18 anos de prisão por apenas um dos 13 crimes atribuídos a ele. Ele e mais dois comparsas teriam executado um rival conhecido como 'Café' usando corda, chave de fenda e faca. O terceiro envolvido ainda não passou por julgamento.  

Cadáver estava de cabeça para baixo. (Foto: Arquivo - Bruna Vasconcellos)

Crime semelhante

No dia 5 de julho, moradores acionaram a polícia por conta de um cadáver encontrado nas proximidades de um sítio na MS-040, em Campo Grande. Antes de ser jogado de cabeça para baixo, a vítima teve um olho arrancado e testículos cortados.

Na ocasião, a polícia estimou que o cadáver estava ali há cerca de uma semana. O caso é investigado em sigilo pela 4ª Delegacia de Polícia, nas Moreninhas. No bolso da vítima teriam sido encontrados pen drives, mas o conteúdo não foi divulgado.  

Medo

Após a descoberta dos crimes de Nando, em 2016, o TopMídiaNews foi até o Danúbio Azul, região leste da Capital e constatou que o silêncio predominava na região. O motivo é o temor da população com a crueldade empregada pelo assassino.

Em um primeiro momento, os populares eram simpáticos com a equipe de reportagem, mas era só falar no nome de Nando, que a apreensão tomava conta da vizinhança.

"Conheço o Nando, sempre via ele no bairro, sei quem é, mas tenho família e não quero falar sobre esse assunto, me desculpe'', disse uma idosa à época da visita.

Nando pode recorrer da condenação, mas vai continuar preso.

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