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Juiz quer novos depoimentos para averiguar encobrimento de policiais em 'Caso Coreia'

Imagens mostram 'Coreia' com camiseta listrada na hora do crime e outra quando se apresentou

10 FEV 2017
Thiago de Souza
15h15min
'Coreia' usava camiseta listrada na hora do crime Foto: Repórter Top

A dúvida se o policial rodoviário federal, Ricardo Moon,47, usava o fardamento completo da corporação no dia em que matou o empresário Adriano Correia do Nascimento, ainda repercute, e diante disso o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, pediu novos depoimentos ao réu.

A decisão do magistrado ocorreu nessa quinta-feira (9), e no mesmo despacho ele pede também a quebra de sigilo telefônico, tanto de Moon, quanto da vítima, o empresário Adriano Correia. 

No dia do crime, imagens gravadas por populares e testemunhas comprovam que o policial usava apenas a calça cáqui da PRF e na parte de cima uma camiseta listrada. Porém, como não foi levado direto para a delegacia, ele se apresentou horas depois para dar seu depoimento, usando a mesma calça, mas outra camiseta, uma cinza. 

Moon foi preso ainda no dia 31 de dezembro. No dia 1º, por decisão do juiz José de Andrade Neto, foi solto, mesmo com as evidências de que ele trocou de roupa, o que prejudicou a perícia criminal. 

No dia 4 de janeiro, o mesmo magistrado decretou a prisão temporária de Ricardo, na qual justificou que naquele momento havia chegado evidências de que o agente federal poderia ter fraudado a cena do crime, utilizando telefone, mudando de vestimenta e recebendo ajuda de outros policiais.   

Preso no dia 5, Moon foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público Estadual, que, além de entender que houve homicídio doloso e duas tentativas de homicídio doloso, também ocorreu fraude processual, pois 

"há indícios de terem induzido o juízo ao erro e produzisse efeito para beneficiar o acusado", escreveu o promotor  de Justiça, José Eduardo Rizkallah. 

No dia 31 de janeiro, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, aceitou parcialmente a denúncia do MPE e colocou em liberdade o réu. Porém, Garcete livrou Ricardo Moon de crime de fraude processual, justificando à época que, ainda que o acusado tivesse mentido em seu depoimento, este era um direito dele e não pode ser processado por isso. O magistrado destacou também que, em seu depoimento à polícia, Moon confessou que usava somente a parte de baixo da farda na hora do crime, portanto não teria mentido. 

O MPE recorreu da decisão quatro dias depois e pediu o retorno do réu à prisão e que ele também seja processado por fraude processual. 

Nessa quinta-feira (9), o juiz Garcete determinou, junto com a quebra de sigilo telefônico de 'Coreia', o laudo de degravação das imagens da delegacia de polícia na data do crime, desde a chegada do acusado até a sua apresentação à autoridade policial, assim como novos depoimentos. 

 

 

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