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'Cheques em branco': Gilmar Olarte no banco dos réus em julgamento histórico

MPE investigou esquema de estelionato envolvendo o empréstimo de cheques pelo ex-prefeito

12 ABR 2017
Airton Raes
09h30min

O desembargador José Ale Ahmad Netto determinou que seja colocada na pauta da Seção Especial Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul o processo contra o ex-prefeito de Campo Grande Gilmar Olarte, sobre a Operação Adna. O MPE investigou esquema de estelionato envolvendo o empréstimo de cheques em branco pelo ex-prefeito e de crimes como corrupção passiva, continuidade delitiva e lavagem de dinheiro. 

O processo tramita desde novembro de 2014 a partir de Procedimento Investigativo Criminal do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que apurou que o ex-prefeito Gilmar Olarte teria pego folhas de cheque em branco com fieis da igreja onde era pastor para supostamente troca-los com agiota para supostamente arrecadar dinheiro. Em troca, ofereceria vantagens na administração assim que assumisse a prefeitura após a queda de Alcides Bernal.

Em 17 de março, José Ale Ahmad Netto, que está como revisor do processo na Sessão Criminal, concluiu a análise do processo, estando concluso para despacho. Nesta segunda-feira, 10 de abril, o desembargador determinou que seja colocado em pauta para o início do julgamento. O relator do processo é o desembargador Luiz Claudio Bonassini Da Silva. São réus no processo Gilmar Olarte, Ronan Edson Feitosa de Lima e Luiz Márcio dos Santos Feliciano. 

No primeiro dia de depoimento, que foi realizado no dia 27 de novembro de 2015, Edmundo de Freitas afirmou que trocou cheques para Olarte no valor de R$ 240 mil e que em troca receberia vantagens na administração.

Segunda testemunha arrolada pelo MPE (Ministério Público Estadual) a prestar depoimento, a secretária Marly Deborah Pereira contou à Justiça que frequentava a igreja ADNA (Assembleia de Deus Nova Aliança), quando conheceu Ronan Feitosa e Olarte. De acordo com ela, Ronan começou a pedir os cheques em branco para realizar viagens e trocar com agiotas.

Para convencer os fiéis e amigos, Olarte  ainda teria prometido nomeações no Paço Municipal e outras vantagens, que eram sempre confirmadas pelo progressista. “Eu emprestei cheques a pedido de Ronan e confiava muito no pastor Gilmar Olarte”, desabafa Marly. O caso segue sendo investigado.

A defesa
Olarte em sua defesa afirmou que Ronan Feitosa o usou como massa de manobra para lhe prejudicar. Gilmar Olarte afirmou que conhecia Ronan da igreja e que ele havia dado problema. Para a Justiça, Gilmar  garantiu que, assim que assumiu a administração, exonerou Ronan imediatamente dos quadros da instituição pela sua conduta. O ex-prefeito nega envolvimento com os cheques distribuídos por Ronan e afirma que tentou ajudar o servidor após tomar conhecimento das ameaças que o mesmo sofria.

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