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De uma Lama a outra: de 'convidado', Puccinelli começa dia em camburão e termina com tornozeleira

Exatamente um ano e um dia atrás, o italiano foi acordado pelos policiais federais pela primeira vez

11 MAI 2017
Diana Christie
19h00min
Foto: André de Abreu

Sempre muito cauteloso, o ex-governador André Puccinelli (PMDB) é apontado pela Polícia Federal como o ‘chefe’ de esquema de corrupção e desvio de dinheiro de obras públicas desde a primeira fase da Operação Lama Asfáltica. Mas o cuidado que o ex-chefe de Estado manteve durante todos os anos em que administrou Mato Grosso do Sul sempre complicou as investigações.

Já no primeiro relatório compilado pelo MPF (Ministério Público Federal), os investigadores apontam que Puccinelli “tinha conhecimento da estrutura da organização e do seu modus operandi, contribuindo com as atividades ilícitas a partir do cargo que ocupava, inclusive intermediando pessoalmente a prorrogação de contratos que foram fraudados na origem e na execução”.

Com o aprofundamento das investigações, aos poucos a PF chega ao ex-governador. Em 10 maio de 2016, exatamente um ano e um dia atrás, o italiano foi acordado pelos policiais federais pela primeira vez. Na ocasião, o ex-governador se apresentou voluntariamente para prestar esclarecimentos e até manteve o bom humor, dizendo que foi surpreendido em ‘roupas íntimas’.

Com o surgimento de novas provas, o MPF (Ministério Público Federal) conseguiu obter judicialmente o bloqueio de bens do peemedebista em ação que investiga desvio de recursos públicos na contratação da Gráfica Alvorada, do empresário Mirched Jafar Junior. A empresa recebeu R$ 13 milhões em aditivo realizado no dia 31 de dezembro de 2014, último dia de gestão do governo de Puccinelli.

É verdade que o peemedebista pouco entregou ‘o jogo’ durante as ligações interceptadas pelos investigadores. Até o momento, o maior deslize estaria em solicitação ao ex-secretário-adjunto de Fazenda, André Cance. Sem saber que estava grampeado, o italiano questionou sobre entrega de ‘documentos’ que seria necessária para ter uma ‘boa alvorecer’.

E foi ao amanhecer, na alvorada desta quinta-feira (11), que Puccinelli recebeu nova ‘visita’ da Polícia Federal. Os investigadores chegaram a seu prédio pontualmente às 5h50, mas só entraram no apartamento às 6h10, quando finalmente o ex-governador atendeu. Não foi cumprido mandado apenas de busca e apreensão, mas também de condução coercitiva.

Assim, o italiano experimentou hoje, pela primeira vez, o banco traseiro de um camburão policial, na quarta fase da Lama Asfáltica, a 'Máquinas de Lama'. Segundo a PF, os investigados teriam recebido até R$ 150 milhões em propinas. Além de prestar depoimento, agora o ex-governador usa tornozeleira eletrônica e continuará sendo monitorado diariamente pela polícia.

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