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Aécio: saída do PSDB do governo está 'superada'

Presidente licenciado da sigla, senador de MG é defensor da manutenção da aliança com o presidente da República

9 AGO 2017
Globo
12h37min
Foto: Alessandra Modzeleski

Licenciado do comando do PSDB, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta quarta-feira (9), após participar de reunião da executiva nacional do partido, que a discussão sobre o eventual desembarque da legenda do governo Michel Temer é uma questão "superada" para os tucanos.

Defensor ferrenho da aliança com Temer, Aécio disse a jornalistas, na sede nacional do PSDB, que o presidente da República pode "contar" com os quadros da sigla enquanto "achar necessário".

O PSDB é um dos principais partidos da base aliada de Temer e, atualmente, comanda quatro ministérios: Relações Exteriores (Aloysio Nunes), Cidades (Bruno Araújo), Direitos Humanos (Luislinda Valois) e Secretaria de Governo (Antonio Imbassahy).

"Nosso entendimento é de que essa questão [saída do governo] está superada. Enquanto o presidente da República achar necessário contar com os quadros do PSDB, ele terá liberdade para fazê-lo. No momento em que achar diferente o PSDB respeitará isso e não mudará a sua postura de compromisso total e unitário com relação às reformas", declarou o senador mineiro.

Apesar de Aécio ter tentado demonstrar que o partido está unido em torno do governo Temer, há uma divisão interna na legenda sobre o apoio ao peemedebista.

Na semana passada, na votação na qual a Câmara barrou a denúncia de corrupção contra Temer, 21 dos 47 tucanos votaram a favor de a acusação ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal.

Ao orientar a bancada tucana no plenário da Câmara, o líder do PSDB Ricardo Tripoli (SP) chegou a recomendar que os deputados da legenda votassem contra Temer.

Somente na bancada de São Paulo – que é da ala do partido comandada pelo governador Geraldo Alckmin –, dos 12 deputados tucanos, 11 votaram pelo prosseguimento da denúncia de corrupção contra o presidente da República. Alckmin disputa internamente a indicação para concorrer à Presidência no ano que vem pelo PSDB.

A executiva tucana se reuniu na manhã desta quarta, em Brasília, para discutir a convocação de um congresso nacional e de convenções partidárias para as eleições de 2018. Além disso, os tucanos avaliam como será a revisão e atualização do programa e dos estatuto partidários.

'PSDB errou'

Na noite de terça-feira (8), o PSDB passou a vincular inserções partidárias na qual o partido diz que os tucanos erraram, sem dar detalhes de quais seriam esses erros.

As chamadas do partido no rádio e na TV convidam os eleitores a assistirem ao programa partidário do PSDB, que será exibido na próxima quinta (17), às 20h30, no rádio e na TV. O tema do programa será “É hora de pensar o país”.

“O PSDB errou e tem que fazer uma autocrítica. Não adianta pedir desculpas”, diz trecho da propaganda tucana.

Ao ser questionado nesta quarta-feira por repórteres sobre quais seriam os erros aos quais a propaganda partidária se refere, Aécio se limitou a dizer que não participou da elaboração do programa.

"Na verdade, acho que é uma tentativa de reconexão do PSDB com a sociedade. É uma tentativa de comunicação, de mostrar que, além dos acertos que nós tivemos, e não foram poucos, certamente o PSDB cometeu alguns equívocos", disse o senador de Minas, sem dar mais detalhes.

 

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