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Chamego de organização criminosa, avião de U$S 2 milhões deteriora em hangar empoeirado

“Cheio de Charme”, avião carregava Puccinelli e comparsas presos na Lama Asfáltica

8 DEZ 2018
Celso Bejarano
18h10min
Cheio de Charme era usado para transportar investigados Foto: Reprodução

Apreendido em maio de 2016, dois anos e meio atrás, o jato que ficou conhecido como “Cheio de Charme”, no âmbito da Lama Asfáltica, operação da Polícia Federal que degringolou o mais astuto esquema de corrupção que se tem notícia em Mato Grosso do Sul, está em desuso, empoeirado num dos hangares do aeroporto internacional de Campo Grande.

Para a PF, o aparelho avaliado em torno de US$ 2 milhões é, na prática, do empreiteiro João Amorim, mas documentações indicam que o jato seria do empresário da área de informática, João Baird. 

Os Joãos estão presos por suposta participação na trama da organização instituída na gestão do então governador André Puccinelli (MDB), outro encarcerado. Os crimes cometidos entre os anos de 2007 e 2014 iam desde fraude em licitação, ocultação de bens até lavagem e envio de dinheiro para bancos estrangeiros. O rombo causado pela quadrilha, segundo cálculo presumido do MPF (Ministério Público Federal) supera a casa do meio bilhão de reais.

O jato, segundo a PF, era usado pelos cabeças do esquema, como André Puccinelli, o ex-deputado federal Edson Giroto, ex-secretário-adjunto da Fazenda, André Cance, Baird, Amorim e ainda os colaboradores da trama, como o dono da Gráfica Alvorada, Micherd Jafar.

Por meio de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça Federal, os investigadores descobriram que Amorim, que autorizava os voos, cobrava apenas pelo combustível consumido pelo jato. O ex-governador ia para Brasílio no “Cheio de Charme”, às vezes junto com Cance e Giroto. O aparelho voava também para fazendas e interior do Estado.

INVESTIGADOS

Até agosto deste ano, segundo a assessoria de imprensa do MPF, 57 pessoas tinham sido denunciadas na Operação Lama Asfáltica. 

Dessas, sete encontram-se em prisão preventiva (André Puccinelli, André Puccinelli Júnior, João Paulo Calves, Edson Giroto, João Alberto Krampe Amorim dos Santos, Flávio Henrique Garcia Scrocchio e Wilson Roberto Mariano de Oliveira) e quatro tiveram as suas prisões preventivas convertidas em prisões domiciliares (Elza Cristina Araújo dos Santos, Rachel Rosana de Jesus Portela Giroto, Ana Paula Amorim Dolzan e Mariane Mariano de Oliveira Dornelas). 

André Puccinelli, André Puccinelli Junior e João Paulo Calves foram presos em 20 de julho a pedido do MPF após a apresentação de novas provas pelos investigadores da CGU, PF e RFB. Calves foi solto por força de decisão do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).

Os demais denunciados tiveram a prisão preventiva restabelecida também recentemente, após decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no Habeas Corpus 135.027-MS. Tal decisão veio a ser reafirmada na Reclamação 30.313-MS, impetrada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), depois de uma decisão do TR-3, que havia contrariado a ordem do STF.

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