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Com apenas duas mulheres eleitas vereadoras, Câmara será 'clube do Bolinha' em 2017

Representação feminina caiu de cinco para apenas duas mulheres

14 OUT 2016
Thiago de Souza
19h01min
Foto: Reprodução

O resultado das eleições 2016 para vereador em Campo Grande mostrou , ainda que discretamente, um 'rompimento' com a tradição, ao não eleger ou reeleger figuras tradicionais na política da Capital. A taxa de renovação foi de 62%, porém, o baixo número de mulheres eleitas, que caiu de cinco em 2012 para 2 em 2016 mostra que a predominância masculina ainda é padrão e continua dos eleitores e eleitoras.  

No total, 198 mulheres disputaram o pleito contra 475 homens, no qual 27 deles foram eleitos, restando apenas duas vagas para a representação feminina, o que representa 6,8% das 29 cadeiras na Casa. O mais votado foi um homem, o policial federal André Salineiro (PSDB) com 8.776 votos. A mulher mais bem votada foi Dharleng Campos (PP), com 2.591 votos. A outra representante do sexo feminino foi a enfermeira Cida Amaral (PTN), a última colocada, com 1.929 votos. As eleitas neste ano ficaram nas cinco últimas posições. 

Bancada atual - Foto: Arquivo/TopMídiaNews

Em 2012 foram cinco as escolhidas pelo eleitorado da Capital. Carla Stephanini (PMDB), Thais Helena (PT); Rose Modesto (PSDB), Grazielle Machado (PR) e a vereadora Luiza Ribeiro (PPS). Porém, atualmente apenas Carla Stephanini e Luiza Ribeiro continuam no cargo. Rose Modesto venceu as eleições para vice-governadora na chapa de Reinaldo Azambuja (PSDB), em 2014, Grazielle Machado foi eleita deputada estadual no mesmo ano, a petista Thaís Helena foi cassada pela Justiça Eleitoral por compra de votos. A vereadora Magali Picarelli (PMDB) era suplente e entrou no lugar de Grazielle Machado.

Campo Grande tem 595.174 mil eleitores, sendo que 53,77% são mulheres. Mesmo com a maioria do poder de voto, a representação feminina na Câmara Municipal passou longe de atingir os 50%.

O que diz a lei

O percentual mínimo de candidaturas nos partidos políticos é de 30% e isso é obrigatório. Se houver impossibilidade de preenchimento de vagas femininas, o partido político e a coligação são obrigados a reduzir o número de candidatos homens na eleição.  

O que diz o TSE

A cada eleição, campanhas institucionais realizadas pelo TSE no rádio e na TV estimulam a participação das mulheres na vida política do país. Estudo comparativo com outros países revela que a aplicação da lei não é suficiente para que haja incremento na quantidade de cadeiras ocupadas por mulheres, sendo necessário capacitar e criar programas de apoio, realizando campanhas de incentivo, a fim de despertar as condições para que as mulheres participem dos processos decisórios da nação.

As mulheres ocupam hoje baixos percentuais de vagas nos cargos eletivos no Brasil. São 10% dos deputados federais e 14% dos senadores, embora sejam metade da população e da força de trabalho na economia. O percentual é idêntico nas Assembleias Estaduais e menor ainda nas Câmaras de Vereadores e no Poder Executivo. 

Mudanças

Tramita na Câmara dos Deputados a PEC 134/15 prevê cota para 10% dos assentos em todos os âmbitos do legislativo nas próximas eleições, e 16% nas que se seguirem. A proposta não significa mudança completa, visto que em muitas casas de leis a ocupação feminina fica nesse percentual, não mudando muito a realidade. A proposta ainda será votada por comissão especial e depois em dois turnos pelo Plenário. A deputada Alice Portugal (PCdoB/BA) defende reserva de vagas de 30% ou até 50% nos cargos eletivos.

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