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CPI aponta sumiço de 14 mil doses de vacina H1N1, mas sem provas não indicia ninguém

Foram cinco meses de investigação e oitiva de quatro testemunhas na Câmara Municipal

29 NOV 2016
Thiago de Souza
17h52min
Relatório final da CPI da Vacina é lido em plenário Foto: Jeozedaque Garcia

A CPI da Vacina, cujo relatório final foi lido na tarde desta terça-feira (29), na Câmara Municipal de Campo Grande, apontou o desaparecimento  de pelo menos 14.504 doses de vacina contra a gripe Influenza H1N1, da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), em Campo Grande. Por falta de provas não houve indiciamento de nenhum dos suspeitos apontados.

''Temos suspeitas de 35 mil doses, mas por falhas nos mapas da Sesau enviadas para nós tem essa margem de erro que a gente vai ficar'', relatou o presidente da CPI, vereador Marcos Alex (PT).

De acordo com o petista, apesar de ter em mãos uma documentação considerada 'vasta' e até acesso a inquérito policial, não houve indiciamento de nenhuma pessoa por falta de provas. A culpa, segundo os membros da comissão é a fragilidade no sistema de controle da vacinação na Sesau.

Também, durante os trabalhos, que começaram em 10 de junho deste ano, quatro testemunhas foram ouvidas pela comissão, entre elas o diretor do Instituto Butantã, que produz as vacinas, Marcelo Franco  e o secretário Municipal de Saúde, Ivandro Fonseca.  

Segundo o relator da CPI, vereador Lívio Leite (PSDB), Campo Grande recebeu 201.420 doses, sendo que 199.230 foram distribuídas na rede para serem aplicadas. No levantamento feito por cada distrito sanitário da Capital, 156.956 pessoas foram vacinadas. 

Devido a sua inconclusão, o vereador disse que a CPI servirá apenas como legado para que a próxima administração faça um controle maior no programa de vacinação na Capital. ''Não dá mais esse negócio de vacinar em shopping...vacinação dispersa...tem que ter vacinação na UBS, porque H1N1 é assunto sério'', sugeriu Alex do PT.

Sobre o não indiciamento de pessoas relacionadas ao escândalo, Marcos disse que comissão parlamentar de inquérito ''não tem essa obrigação de indiciar ninguém''.  

O documento foi aprovado por unanimidade pelos membros da Comissão e será entregue à Mesa Diretora da Câmara, ao Ministério Público Estadual e Federal, ao Conselho Municipal de Saúde, à CGU (Controladoria Geral da União) e ao Ministério da Saúde.

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