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De MS, Marun foi único parlamentar a votar contra cassação de Cunha

O deputado de MS foi fiel defensor de Cunha durante 11 meses

13 SET 2016
Rodson Willyams com informações da Agência Brasil
15h24min
Foto: Reprodução / Google

Até o fim! Esta foi a posição do deputado federal Carlos Marun, do PMDB de MS, principal defensor do ex-presidente da Câmara dos Deputados, e agora, ex-deputado federal cassado, Eduardo Cunha, do PMDB-RJ. Ontem (12), durante o processo que cassou Cunha, Marun tentou justificar que o colega de parlamento, 'apenas omitiu' vinculação a truste e que o correligionário não merecia a 'morte política'. 

Marun foi o primeiro deputado a discursar a favor de Cunha na Câmara dos Deputados, e tentou minimizar os efeitos sobre o relatório que acusou Cunha de manter conta fora do país. “Truste não é conta. E tanto não é conta que o relator não teve coragem de afirmar isso no relatório. Em nenhum momento ele disse que era conta. O deputado Eduardo Cunha, no máximo, omitiu o fato de ser vinculado ao tal truste. Merece ser punido, mas não com a pena de morte política”, disse. 

Ainda no discurso, Marun chegou a declarar que como não conseguiram provar que Eduardo Cunha não possuía conta no exterior, os demais parlamentares partiram 'para o conjunto da obra'. “O conjunto da obra, que não está nesse processo, pode ser também rebatido e debatido. Usaram uma acusação do delator Júlio Camargo, feita numa reconsideração de delação. Entra o Fernando Baiano, que esteve no Conselho de Ética, ele [relator] não trouxe ninguém para dizer que truste era conta”.

E por fim, chegou a declarar que aqueles que foram a favor da cassação do deputado fluminense estariam cometendo uma injustiça. “Não vou cometer essa injustiça. Isso me dá um sentimento muito grande de força e até de felicidade. Eu sei que aqui vai se cometer uma injustiça e eu sei que eu não serei um dos injustos".

A promessa foi cumprida e Marun integrou o holl dos 10 únicos parlamentares que votaram contra a cassação de Eduardo Cunha. Junto com Marun votaram Paulo Pereira da Silva, do SD-SP; Marco Feliciano, do PSC-SP; Carlos Andrade, do PHS-RR; Jozi Araújo, do PTN-AP; Júlia Marinho, do PSC-PA; Wellington, do PR-PB; Arthur Lira, do PP-AL; João Carlos Bacelar, do PP, AL; Dâmina Pereira, do PSL-MG. 

Bancada federal de MS

Atualmente, Mato Grosso do Sul possuiu oito parlamentares sendo os deputados federais: Além de Marun, há Dagoberto Nogueira, do PDT; Elizeu Dionizio, do PSDB; Geraldo Resende, do PSDB; Henrique Mandetta, do DEM; Tereza Cristina, do PSB, e os petistas, Vander Loubert e Zeca do PT. Os sete votaram a favor da cassação de Eduardo Cunha.  

Em entrevista concedida ao TopMídiaNews ontem (12), Zeca do PT, Dagoberto e Geraldo Resende já tinham antecipado o voto e afirmaram que votariam a favor da cassação de Cunha. 

"Defendo a cassação dele, ele é um bandido. Mesmo assim, ele terá uma dupla defesa, dois farão a defesa dele contra um de acusação. Mas, na minha opinião e pelo que senti hoje aqui, ele cometeu um erro grave. Ele disse que se ele cair, vai cair junto dois ministros, três senadores e 150 deputados. Se isso for verdade, demonstra que há mais pessoas em conluio com ele. Então, não sei se esses parlamentares irão ficar fechar com ele", disse Dagoberto ao Portal.  

Com isso, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou por 450 a favor, 10 contra e 9 abstenções a cassação do mandato do deputado afastado Eduardo Cunha. A medida põe fim a um dos mais longos processos a tramitar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que se arrastava por 11 meses e interrompe o mandato de um dos políticos mais controvertidos dos últimos anos. 

A partir deste resultado, Cunha perde o mandato de deputado e fica inelegível por oito anos, mais o tempo que lhe resta da atual legislatura.

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