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Assembleia recebe oficialmente denúncia contra nomeação de Marquinhos Trad na Casa

O documento solicita a abertura de uma CPI para investigar o caso

19 OUT 2016
Dany Nascimento
16h50min
Foto: Divulgação

O diretor-presidente do Instituto Educação Cultura Esporte e Cidadania (IECEC), Douglas Silva de Souza, entregou denúncia para o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado estadual Junior Mochi (PMDB), solicitando atitudes em relação ao deputado estadual e candidato a prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), que continua recebendo salário como servidor da Casa de Leis.

Conforme o documento, Marquinhos foi nomeado como técnico parlamentar pelo gabinete do pai, Nelson Trad no ano de 1986 e estaria cursando direito no Rio de Janeiro em 1987. Ainda segundo a denúncia, não existe nenhum documento justificando a ausência de Marquinhos.

No ano de 1990, Marquinhos teria se tornado servidor efetivo da Assembleia, sem participar de concurso público. Para o diretor, Marquinhos estaria se favorecendo de vantagens obtidas irregularmente, conforme documento entregue, e utilizando salários que pertencem à população.

"Verdade é, que o gozo de vantagens protegidas e obtidas pelo manto da hereditariedade não geram mais efeitos no seio da sociedade brasileira, eis que abolida a prática de nepotismo no âmbito do Estado, bem como se põe inadmissível a conduta de um Deputado Estadual que, há 30 anos recebe irregularmente salários do povo do Estado de Mato Grosso do Sul, pagos pela Assembleia Legislativa", diz o documento.

Para o diretor, Marquinhos teria desrespeitado o art. 37 da Constituição Federal e da lei nº8.429/1992 que regem a administração pública, já que obtém valores e ocupação de cargos públicos, implicando enriquecimento ilícito.

Diante disso, Douglas solicita a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a situação do parlamentar, o envio do pedido para o Ministério Público Estadual e o envio para o Tribunal de Contas para que o caso seja investigado.

O caso veio a tona durante um debate entre candidatos ainda no primeiro turno das eleições, no SBT MS, quando Athayde Nery (PPS) acusou Marquinhos de ser funcionário fantasma, questionando o candidato do PSD sobre omitir do público seu cargo efetivo desde 1986 na Assembleia Legislativa, com 'inúmeras regalias' sem ter feito nenhum concurso público.

Trad respondeu ao adversário dando a entender que ele vive de pedir ajuda financeira  em gabinetes de políticos. "A sua boquinha vai acabar hein", prometeu.  Porém, sobre a acusação de ser fantasma na Assembleia, nada disse.

Após os questionamentos, Marquinhos utilizou a propaganda eleitoral para se defender dizendo que não é funcionário fantasma e chegou a propor a abertura da "CPI dos Fantasmas" na Casa de Leis.

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