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Juiz que impediu acesso da imprensa à seção eleitoral de Dilma usou rede social para criticar petist

Ele afirma, no entanto, que caso haja 'clima' no segundo turno, jornalistas poderão acompanhar o voto de Dilma

3 OUT 2016
Extra Globo
10h44min
Foto: Diego Vara

O juiz Niwton Carpes da Silva, da 160º zona eleitoral de Porto Alegre (RS), que impediu o acesso da imprensa ao saguão da Escola Santos Dumont e à seção de votação de Dilma Rousseff, na tarde deste domingo, revelou que recebeu xingamentos e ameaças por meio das redes sociais após o tumulto registrado na votação. Em abril, o magistrado havia usado sua conta no Twitter para criticar a petista, e os comentários serviram de pólvora para alguns partidários da ex-presidente. Ele afirma, no entanto, que caso haja "clima" no segundo turno, jornalistas poderão acompanhar o voto de Dilma.

No Twitter, em 21 de abril, o juiz escreveu: "Ela (Dilma) é tão incompetente e desesperada que não tem condições de autocrítica. O esquerdismo radical perdeu o trem da história". Pouco antes, em 23 de março, o magistrado havia criticado o PT: "Os petistas ainda continuam com a deslavada pachorra de falar em golpe... E as pedaladas, a corrupção e doações ilegais onde ficam???", escreveu na rede social.

Por telefone, nesta segunda-feira, o juiz explicou que criou a conta no Twitter em março deste ano e que, após o episódio deste domingo, foi atacado na rede social.

— Eu até tive que "desligar" ele (o Twitter) de madrugada porque o volume de dados era enorme... muito xingamento, muita ameaça. Estão falando tudo que se pode imaginar, filho daquilo, ladrão, corrupto, tá tudo lá — explicou o magistrado, que acrescentou: — Talvez eu concorde que um juiz não deva fazer esse tipo de pronunciamento (como os que ele fez na rede social) para resguardo até numa situação dessa aí. Há esse levante todo em função do que foram vasculhar na minha conta do Twitter por coisas que eu escrevi há meses atrás, no ínicio do ano. Melhor se eu não tivesse escrito. A situação não teria esse relevo todo. Então, hoje, eu agiria com jurisprudência e diria que seria melhor que não tivesse me pronunciado nesses tópicos dessa forma. A sociedade tem que entender que um juiz é um ser político e cidadão que também está inserido num contexto. O importante é aferir a imparcialidade do juiz em sua atuação juricional.

O magistrado explicou também que usou a agentes da Brigada Militar para impedir o acesso da imprensa à seção de votação de Dilma Rousseff por uma medida de segurança.

— Eu não impedi a imprensa de acompanhar o voto da ex-presidente Dilma. Na verdade, houve um tumulto exagerado, com atuação intensa da militância e lá estavam presentes os caciques do PT do Rio Grande do Sul, mais uns 20, 30 jornalistas, todos querendo entrar (na seção eleitoral)... Então, o clima não era benéfico, propício de transferir aquele embate de palavras (de ordem de militantes e críticos do PT) do lado de fora para dentro de uma seção eleitoral, sob pena de eu perder o controle da situação e não mais garantir a segurança dos eleitores na votação. A única fórmula que eu achei foi de obstar o acesso ao colégio na porta de entrada, salvo para os eleitores, resguardando que a ex-presidente estivesse acompanhada de ex-candidatos como manda a lei — explicou o magistrado, que acrescentou: — Presumo eu que algum fato político estava querendo ser criado.

O juiz acrescentou ainda que, no segundo turno, pode ser que a imprensa tenha acesso ao local de votação para acompanhar Dilma.

— Eu fiquei tranquilo (com a repercussão da história). Tomaria a mesma decisão de novo. Uma situação daquela não vai se repetir no segundo turno. Não será com xingamento, agressão e violência que eu vou mudar de opinião. A lei não vai deixar de ser cumprida só porque um grupo quer um determinado resultado. Se agirem com respeito, lisura e correção, se estiver tudo certinho, vamos repetir as eleições passadas (quando a imprensa pôde acompanhar a votação de Dilma). Num clima de paz, evidentemente que a impresa terá acesso, seu assento para registrar os votos dos candaditos — acrescentou o juiz, que não irá procurar as autoridades para denunciar os ataque que sofreu na rede social.

Sobre o tumulto no local de votação e o impedimento do acesso de jornalistas ao local de votação, Dilma Rousseff falou: "foi um absurdo impedir a imprensa de chegar aqui (...) Isso é muito ruim para o país, nunca houve esse tipo de coisa, nunca a Brigada (Militar) foi chamada e fecharam as portas, é lamentável".

 

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