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Coffee Break vira 'bode expiatório' de Bernal: é desculpa pra tudo

Prefeito fala em 'rombo deixado por quadrilha' para explicar situação da cidade

28 NOV 2016
Rodson Willyams
11h15min
Foto: Geovanni Gomes / Arquivo

Ao apagar das luzes, restando pouco mais de 30 dias para o término do mandato, o prefeito Alcides Bernal, do PP, afirmou que o grupo atualmente investigado pela Justiça, de envolvidos na Coffee Break, causou um prejuízo de R$ 1 bilhão aos cofres da prefeitura. A afirmação ocorre bem na época de fechamento de gestão, com a obrigação do pagamento do 13º salário chegando.

Segundo ele, a cassação que foi considerada ilegal e ocorreu de maneira 'criminosa'. "E com isso, trouxe consequências graves: financeira e administrativa. Houve um caos moral financeiro e administrativo depois de 12 de março de 2014, cuja o município tinha uma condição superavitária". 

E em seguida afirma, "Campo Grade está se recuperando do maior roubo que superou os recursos. As consequências são incalculáveis. A quadrilha da Coffee Break usurpou R$ 1 bilhão causando prejuízo".

O prefeito ainda ressaltou que, apesar das investigações, os envolvidos permanecem livres. "Triste ainda é saber que estão sambando na frente do povo e dos agentes fiscalizadores. Se sentem acima de todos e da impunidade, o que nos resta é acreditar na Justiça".

Faltando pouco mais de 30 dias para terminar o mandato, Bernal afirma que está cumprindo o seu compromisso e missão. "Não me submeti a grupo criminoso, de colarinho branco. Tenho certeza que irão sentir o peso da mão da Justiça. Quero deixar claro, que o meu governo não teve compromisso com coisa errada. Estou quites com a minha obrigação", finalizou.  
 
Coffee Break 
Em dezembro de 2015, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) considerou como suspeitos de associação criminosa o ex-governador André Puccinelli (PMDB), os ex-prefeitos Nelsinho Trad (PTB) e Gilmar Olarte (PP por liminar), os empresários Carlos Eduardo Naegele (Jornal Midiamax), João Amorim (Proteco Construções) e João Baird (Itel Informática); Fábio Portela (IMTI), Luiz Pedro Guimarães e Raimundo Nonato; além dos vereadores Mario Cesar (PMDB), Airton Saraiva (DEM) e Flávio César (PT do B).

Por formar um grupo criminoso que dialogava pessoalmente com os vereadores para conseguir votos no dia da cassação, o órgão solicitou o indiciamento por corrupção ativa de Gilmar Olarte, Mario Cesar, Flávio César, João Amorim, João Baird, Ayrton Saraiva e Fábio Portela.

Os vereadores Paulo Siufi, Edil Albuquerque, Edson Shimabokuro, Eduardo Romero (Rede), Jamal Salém, Gilmar da Cruz (PRB), Chocolate (PTB), Carlão (PSB), João Rocha (PSDB) e o ex-vereador Alceu Bueno, teriam que responder por corrupção passiva.

Reviravolta
No entanto, uma das testemunhas-chave da investigação, o guarda municipal Fabiano de Oliveira Neves revelou que mentiu durante os depoimentos e solicitou alteração nos arquivos da investigação. Ele divulgou áudios em que conversa com o advogado Antonio Trindade para articular maneiras de incriminar o ex-governador André Puccinelli.

Ligado ao vereador cassado e secretário de Governo Paulo Pedra, o advogado conta, durante o áudio, que esteve com Bernal desde que ele era deputado estadual, sempre ajudando no gabinete e até, muitas vezes, assumindo o papel do parlamentar escrevendo indicações, entre outras atividades.

Para o guarda municipal, ele garante que o prefeito irá cumprir o acordado, que seria um acerto trabalhista para a mãe do denunciante, e dá dicas de como ele deverá depor ao Ministério Público. Fabiano diz veementemente que Puccinelli nunca participou de reunião na chácara do ex-secretário de Governo, Rodrigo Pimentel, mas é orientado a garantir a presença dele no local.

Revelando ter conhecimento de algumas informações da investigação, Antonio diz que alguém já mencionou o suposto encontro e dá dicas para o guarda municipal não cair em contradição. “Um cara falou que fez reunião na chácara do Pimentel. Qual que é a minha ideia? Só fala o seguinte: ‘eu estava saindo para fazer compra e vi ele chegando. Quando eu voltei, uma hora depois, ele não estava mais lá. Não sei se entrou, se não entrou’. Acabou, pronto. Não fala mais nada”.

O processo segue em trâmite no TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

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