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Presidenciável acusado de receber R$ 5 milhões em propina visita MS para ‘defender a ética’

Álvaro Dias teria recebido dinheiro para enterrar CPI do Cachoeira; por aqui, tem aliados famosos

12 MAR 2018
Vinícius Squinelo
07h31min
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Álvaro Dias, candidato a presidente da República pelo Podemos, estará em Campo Grande em evento político no dia 19 deste mês. Na pauta do encontro, a ‘defesa da ética’ e discursos sobre renovação política. Porém, a visita a Mato Grosso do Sul ocorre no pior momento da carreira do atual senador, que agora enfrente pesadas denúncias de recebimento de propinas por empreiteiras.

Conforme a Polícia Federal, no inquérito n° 186/2016, consta em documentações, como e-mail enviado a Odebrecht por  Samir Saad, que Álvaro Dias pediu R$ 5 milhões para enterrar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Cachoeira.

Em Campo Grande, Álvaro Dias participa de evento no Parque de Exposição Laucídio Coelho, sede da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), entidade que foi dirigida por anos por Francisco Maia, o Chico Maia, hoje  principal aliado do senador em MS.

Chico Maia é filiado e pré-candidato ao Senado pelo Podemos e anunciou, no início deste mês, que Álvaro Dias vai apoiar o juiz Odilon de Oliveira (PDT) em MS. 

As denúncias
Conforme revelação exclusiva da  revista Veja desta semana, no começo de 2015, Luis Eduardo da Rocha Soares, então diretor do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, encaminhou a um interlocutor um e-mail que recebeu de Samir Assad três anos antes para que ele procurasse maiores informações sobre o que estava narrado.

O e-mail tinha como assunto “CPMI – Cachoeira”. Nele, Assad informa que a empreiteira Andrade Gutierrez pagou 30 milhões a parlamentares para “cortar” o assunto, ou seja: parar com as investigações da CPMI.

Nesta mesma mensagem, Samir informa que o Grupo UTC também contribuiu com recursos para a mesma finalidade. E explica que esses recursos eram insuficientes para que tivessem êxito na obstrução das investigações, porque o senador Álvaro Dias tinha pedido mais 5 milhões de reais.
Em anexo, foi enviada uma planilha de controle com o codinome “Alicate”, identificado como sendo o senador.

Álvaro Dias entrou em contato com a Veja e enviou a seguinte resposta: “O senador Alvaro Dias afirma com toda a segurança tratar-se de armação política e vingança pelo comportamento dele durante e depois da CPI do Cachoeira. “É uma tentativa de atingir o meu patrimônio maior, a honra, e desautorizar o discurso que é o meu maior trunfo na campanha eleitoral: o combate à corrupção. Vou identificar os responsáveis por essa insinuação maldosa para interpelá-los judicialmente”, disse.

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