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Sem diálogo com Azambuja, Cintra diz que pediu demissão para ‘resolver pendências jurídicas’

Em meio à nova denúncia de assédio sexual e cassação pela Justiça Eleitoral, ex-prefeito sai do cargo Coordenador de Articulação do Governo

13 NOV 2017
Amanda Amaral
18h10min
Foto: André de Abreu

Confirmando sua saída do cargo de Coordenador de Articulação com os Municípios, ainda não publicada em Diário Oficial do Estado, Nelson Cintra alega ter motivação estratégica para ‘resolver pendências’ junto ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que determinou sua cassação e consequente impossibilidade de permanecer no posto. A decisão foi tomada sem prévio diálogo com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e ainda não há previsão de quem possa ocupar a vaga.

“A questão veio à tona nesse momento, meus advogados tão tentando reverter essa cassação em Brasília. Existe um decreto que quem tiver pendências jurídicas no TRE não fica apto a permanecer no Governo, ou ser admitido nele, então saí na frente e pedi para sair. Estou na política há 20 anos e, quando você está há tanto tempo, a todo o momento tem alguém que se sente desagradado. Fiz enfrentamento forte contra o PT, quando fui prefeito, eles me enfrentando também na urna e nos tribunais. Para facilitar e deixar o Reinaldo mais a vontade, nem falei com ele e já anunciei. Ele até queria falar comigo antes, mas falei que já tinha tomado minha decisão, vamos conversar depois”, afirma.

A denúncia julgada é a respeito de irregularidades encontradas em campanha da então candidata à prefeitura de Porto Murtinho, Rosângela Baptista. Cintra, que já foi cassado enquanto prefeito do município, foi acusado de realizar distribuir materiais de construção a eleitores murtinhenses em troca de apoio à candidata.

Denúncias de assédio

O ex-prefeito de Porto Murtinho e ex-presidente da Fundtur (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul) também nega que a motivação teria influência pessoal, apesar de especulações apontarem que denúncias de motivação sexual terem peso no anúncio repentino. Em 2016, foi denunciado pela jornalista Nilmara Caramalac por assédio sexual, e outra denúncia, de nova suposta vítima, estaria prestes a surgir. Sobre o assunto, Cintra se diz ‘vítima de armação’.

“A gente quando está na vida pública fica vulnerável, e como sou uma pessoa economicamente definida, ocupava cargo relevante, as pessoas querem tirar uma ‘vantagenzinha’. Tive aquele caso da Nilmara, foi comprovado também que não era verdade, não há nenhuma ação contra ela, não quis usar da mesma moeda, foi tudo resolvido. E essa outra moça que trabalhava no Governo, se pôs como funcionária da Governadoria e eu procurei saber, ela não era regularizada, até que ela foi demitida por não cumprir regras. Passaram-se dois meses, ela resolver fazer uma ação, mas eu estou muito tranquilo. Não devo nada. Tenho jeito carinhoso de tratar as pessoas, e alguns não entendem”, se defende.

Futuro político

Citado também em delação sobre o escândalo JBS, foi questionado se pretende retornar ao cargo ou outro posto político se conseguir se livrar das condenações, mas diz não ter planos e considera passar bom tempo cumprindo seu papel de apenas empresário. “A gente que está na vida pública, acha prazeroso estar na política, é onde você consegue fazer o bem, mas estou com a vida resolvida, só quero servir pessoas que admiro e gosto, tive oportunidades de voltar para a prefeitura, sair como deputado, não quis. Tenho família, vida econômica privilegiada, quase 50 anos de casado”, finaliza.

A publicação de sua saída do cargo deve ser publicada nesta terça-feira (14), no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul.

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