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Após morte de advogada em acidente, vereadores criticam blitze 'só para arrecadar'

Parlamentares reclamaram da ausência de fiscalizações durante à noite na Capital

7 NOV 2017
Liziane Berrocal e Rodson Willyams
13h03min
Foto: André de Abreu/Arquivo

A morte da advogada Carolina Albuquerque Machado, 24 anos, foi lembrada na Câmara Municipal, nesta terça-feira (7), e acabou gerando uma discussão entre os parlamentares. Ao pedir a palavra para falar pela liderança do DEM, o vereador Vinícius Siqueira usou o caso para atacar o governo estadual que “não faz blitz a noite” e, com isso, o tucano Delegado Wellington não deixou barato.

Siqueira criticou que deveriam cobrar apenas a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), pois para ele o Governo do Estado era inexistente. "Nem vou mencionar o Governo do Estado, porque parece que não existe, porque não faz blitz nenhuma. Repito, parece que o Governo do Estado não existe. Temos que cobrar da Agetran, especialmente nas saídas das casas noturnas", criticou usando o caso do acidente causado na madrugada do dia 2 deste mês.

A crítica irritou o vereador Delegado Wellington que logo em seguida usou o microfone. “Acho que as pessoas estão com problemas de amnésia. É claro que o problema da advogada que morreu é extremamente complexo. A questão de bebida alcoólica não é só cultural, é falta de responsabilidade. Aquele que sabe que vai beber não pode pegar o veículo. E queremos terceirizar responsabilidade. E isso não pode ficar nem a cargo do município nem do Estado”, rebateu questionando se queriam que o Estado fosse “babá” de quem bebe e dirige.

“Nós precisamos ter responsabilidade por nossa segurança. Precisamos ter em toda essa cidade uma cidade travada? Uma cidade com pardal, com lombadas, tudo a 50 km/h”, defendeu o vereador Wellington. "Temos perdido vidas no trânsito, mas isso não é problema do Estado”, tornou a dizer.

O parlamentar ainda afirmou que muitos internautas acabam contribuindo, já que divulgam as blitz em grupos de aplicativos de troca de mensagens e nas redes sociais. “Mas o senhor Vinicius Siqueira, que gosta muito de redes sociais, tem que indicar para seus eleitores para que não divulguem onde estão as blitze”, apontou sobre o uso frequente das redes.

Com experiência de quem já esteve envolvido em acidente com morte, o vereador Airton Araújo do PT acabou conseguindo acalmar os ânimos. “Não desejo para ninguém um acidente de trânsito, mas é preciso reconhecer a responsabilidade do Estado e do Município sim, porque tem blitz sim, mas só pra arrecadar, às 7h da manhã ou 17h, quando os trabalhadores estão indo para casa ou indo e voltando do serviço”, pontuou encerrando a discussão.

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