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Vereadores encontram pacientes esperando até 10 horas por consulta em postos da Capital

Relatório divulgado pelos parlamentares também mostra falta de médicos e remédios nas unidades

8 SET 2017
Rodson Willyams
14h58min
Foto: Reprodução

Os vereadores Hederson Fritz, do PSD, Valdir Gomes, do PP, e Wilson Sami, do PMDB, divulgaram o relatório sobre a 'batida' feita no dia 31 de agosto, em três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), para verificar 'in loco' a situação dos atendimentos à população e os reflexos das mudanças nas escalas médicas. As unidades UPA Leblon, Universitário e Coronel Antonino foram os alvos. 

Além das enormes filas para atendimento e falta de medicamentos, os parlamentares constataram a presença de pacientes aguardando até dez horas por uma consulta e problemas nas escalas médicas, que não conferem com o informado pela prefeitura de Campo Grande.

UPA Leblon
A primeira unidade visitada foi a UPA Leblon. Os parlamentares chegaram às 21 horas no local, onde foi constatado um grande número de pacientes no saguão aguardando atendimento. "Após verificar o horário de abertura das fichas na recepção, verificou-se que a ficha mais antiga era das 18h40 e que aqueles que aguardavam  atendimento médico, estavam classificados como não urgência e pouca urgência, conforme classificação de risco (processo de trabalho que visa identificar situações de maior gravidade, atribuindo a esses uma prioridade que é identificada por cores), ou seja, não haviam naquele período, casos de maior gravidade que ainda não tivessem sido atendidos", conforme consta no documento.

Porém, o problema detectado foi na escala médica. No dia, a prefeitura informava que haviam seis médicos clínicos gerais e mais cinco pediatras. "Um fato observado no período que os vereadores estavam presentes na Unidade é que, ao verificar a ficha de controle de atendimento médico, que fica fixada próximo à recepção, apenas um dos seis plantonistas clínicos havia registrado atendimentos, sendo importante frisar que o período de trabalho inicia-se às 19h00".

Além disso, durante a conversa, os referidos vereadores conversaram com a equipe médica, os quais fizeram críticas e demonstraram a insatisfação com relação à redução da escala após às 1 hora da manhã.

UPA Universitário 
Por volta das 22 horas, os parlamentares estiveram na UPA do Bairro Universitário. No local, também constataram a presença de um grande número de pacientes que estavam aguardando atendimento no saguão.

Lá ainda perceberam a escala médica sobrecarregada. "A equipe médica que estava sobrecarregada devido à uma diminuição da escala médica em relação ao que estava previamente previsto para aquele período. Dos cinco clínicos escalados para o plantão, apenas três estavam presentes, fato esse que levou sobrecarga de trabalho aos profissionais e demora no atendimento", pontua o relatório.

O documento ainda frisou que "apesar do número reduzido de plantonistas, casos considerados como emergência e muita urgência estavam sendo prontamente atendidos pela equipe médica presente e que os pacientes que aguardavam atendimento no saguão estavam classificados como não urgência e pouca urgência, porém haviam pacientes que deram entrada no período vespertino, que permaneciam naquele momento ainda aguardando atendimento". 

Durante conversa com os vereadores, "os profissionais apontaram a escassez de materiais de consumo e medicamentos com uma das grandes dificuldades do dia a dia, bem como a reclamação - em especial da equipe médica - da redução das escalas de plantão a partir das 01h00, além da falta de comunicação clara com a Secretaria de Saúde, sobre a previsão das escalas e sua efetivação".

UPA Coronel Antonino 
O local recebeu a visita dos vereadores por volta das 23h30. "Nesta Unidade, observou-se a demora no atendimento. Um número significativo de pacientes aguardava atendimento no saguão, (a ficha mais antiga apresentava como horário de entrada às 13h18)", pontua o relatório. Pacientes classificados como não urgência ou pouco urgência aguardam o atendimento. 
 
Segundo o documento, o atendimento médico naquele período estava lento."Informações dos profissionais e pacientes presentes e conforme escalas que estavam fixadas; por conta de um revezamento imposto pelos próprios plantonistas médicos, que dividiram a escala para o período que se iniciava naquele momento, até as 07h00, onde apenas um médico estaria realizando os atendimentos por cada período, detalhado nas referidas escalas elaboradas por eles".

Para esta unidade, haviam cinco plantonistas clínicos gerais e cinco plantonistas pediatras escalados na referida Unidade durante o período em que os vereadores estiveram presentes no local, todavia já em escala de revezamento. "Ao tentar contato com os médicos escalados, observou-se que havia um médico clínico geral na sala vermelha, um clínico na enfermaria e um pediatra atendendo no consultório. Demais profissionais médicos escalados não foram encontrados pelos vereadores naquele momento nas áreas destinadas ao atendimento e observação dos pacientes".

O relatório
Após as vistorias, os parlamentares informaram que, ao adentrar aos UPAs, apresentaram-se ao enfermeiro responsável administrativamente pelo plantão, aos profissionais presentes e à população que aguardava atendimento. E que as visitas realizadas e o presente relatório não tem o objetivo de formar um diagnóstico preciso das condições de atendimento constatadas pelos edis, sendo apenas, 'apenas um retrato de um único período do dia'.

Porém, chamam atenção e frisa, que "é necessária uma estratégia para inferir melhor acesso à saúde da população durante este período de transição, em que não temos as Clínicas da Família em funcionamento e uma grande demanda de pacientes nas unidades de urgência e emergência do município". Outro ponto apontado no relatórios seria a abertura do diálogo, "da melhor comunicação e diálogo com as equipes de saúde de plantão em cada período, uma vez que informações sobre escala vigente e escala programada para o período mostraram-se desencontradas".

Por fim, uma das situações que também chamaram a atenção dos parlamentares, foram as "contínuas reclamações dos profissionais e de pacientes em relação à falta de materiais e medicamentos, solicitamos que de forma enérgica e urgente isso seja resolvido". E termina, "em suma, solicitamos que todas as situações relatadas nas visitas citadas sejam averiguadas e solucionadas para um melhor atendimento à população e que haja por parte da administração municipal o retorno quanto aos levantamentos aqui evidenciados não só para estes vereadores, mas também para toda a sociedade".

O caso foi repercutido na semana passada e gerou 'climão'. Valdir Gomes chegou a denunciar que quase foi agredido durante a visita. 

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