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Máfia? Com valores altos, vacinas da rede particular geram 'terrorismo' mesmo sem surto

Para vacinar contra a meningite, por exemplo, pais gastam até R$ 2,5 mil

12 JUL 2017
Liziane Berrocal
07h00min

A indústria da “saúde” cada dia mais traz inovações e no ramo das vacinas, as doses que salvam vidas, também causam um pouco de confusão para as mães, em especial as de primeira viagem ou aquelas que não tem poder aquisitivo para pagar vacinas, que podem chegar a R$ 2 mil.

Quando nasce, o bebê já recebe na maternidade as vacinas BCG e Hepatite B, que são iguais no SUS e em clínicas particulares. Daí, é que começa a mudança.

Aos dois, quatro e seis meses de vida a rede pública de saúde oferece as mesmas vacinas, porém algumas são administradas separadamente e são vacinas de outros laboratórios. O que ocorre segundo os médicos é que a vacina pentavalente, oferecida no posto é celular e, portanto, oferece maiores riscos de febre alta e convulsão.

Outra diferença é que a poliomielite é feita separadamente, portanto serão mais picadas. Daí, quem pode pagar, nas clínicas, a vacina oferecida é a hexavalente, vacina acelular, que além de diminuir o número de picadas, tem menos riscos de febre ou outras reações adversas.

Mais uma diferença, é que nesta idade também é tomada a vacina contra o Rotavírus. A vacina fornecida pelo Ministério da Saúde vale apenas para um dos vírus causadores da doença de mesmo nome. Quem pode pagar, e levar o bebê a uma clínica, terá proteção para cinco diferentes tipos do agente infeccioso.

“O ideal seria que fosse oferecida de matéria igual para todos, porém, não é isso que acontece”, explica o pediatra Paulo Siufi, que aplica vacinas em seu consultório, porém, sempre alerta as mães sobre as que estão à disposição na rede pública de saúde.

Terrorismo que irrita

Mãe da Valentina e do João, a psicóloga Alinny Rebehin Vilela não se dobrou as vacinas caríssimas. “Quando a Valentina eu dei particular, mas o motivo foi especial, porque ela nasceu prematura e o médico fracionou as vacinas”, conta. Já o menino, tomou as vacinas no posto mesmo. “O João eu dei no posto, e por causa da vacina da gripe que deu reação nele, atrasei as outras vacinas. Agora eles estão com todas em dia e a Valentina toma as do posto já”, conta ela.

Já vacinas mais caras como a meningite, ela nem cogitou. E mais, se irritou com o assunto.

“Dei as do calendário mesmo e já achava caras, então eu não dou por causa disso mesmo. É terrorismo, não tem surto, é só pra arrancar dinheiro dos pais por medo”, opina.

Vacinas chegam até R$ 10 mil

Uma das vacinas que “pega”, em especial pelo valor e também pela gravidade da doença, a da meningite é dada aos 3 e 5 meses de idade. Segundo pesquisa em sites de pediatria, a vacina da meningite é exatamente igual na rede pública e na rede privada.

Nesse caso, a vacina contra o pneumococo fornecida pelo posto de saúde é 10 valente, ou seja, imuniza a criança contra 10 tipos do pneumococo. Já a da rede privada é 13 valente, protegendo contra 3 subtipos a mais do pneumococo. Esta vacina também deve ser feita aos 7 meses. Na rede privada, esta vacina pode ser feita com 2, 4 e 6 meses de idade, como orientado pela sociedade brasileira de pediatria.

Nas clínicas particulares, quem quiser proteger a criança contra os “tipos mais graves”, conforme ensinam as atendentes. Cada dose custa no mínimo R$ 603, com desconto de convênio Cassems ou Unimed. A questão é que são quatro doses. Ou seja, no mínimo R$ 2,4 mil em vacinas só para a meningite.

As clínicas oferecem pacotes de vacina até um ano e meio, porém, não conseguimos os valores, que podem chegar a R$ 10 mil, caso sejam dadas todas somente em rede particular. A 'vantagem' é que parcelam em até seis vezes no cartão. 

Promoção de vacinas

Em época de frio, o maior medo das mamães está em doenças relacionadas com o frio. Uma delas é a gripe, que teve vacinação disponível na rede pública de saúde. A dose agora está em “promoção” em uma clínica de vacinação, que faz intensa propaganda nas redes sociais.

Uma delas é a vacina contra o influenzae (gripe) é exatamente a mesma na rede pública e privada.  No bebê, ela precisa ser aplicada a partir do sétimo mês e há campanhas de vacinação no SUS, porém, caso a pessoa queira, mesmo não sendo diferente, há uma “promoção” de R$ 42. 

Outras doses

São vacinas que em sua maioria, ainda há na rede pública.  Aos 9 meses, por exemplo, há a vacina contra a febre amarela deve ser administrada em crianças que moram ou que vão viajar para áreas endêmicas para essa doença, ou seja, não são para todas as crianças. E a dose aplicada é a mesma na rede pública e privada.

Quando a criança faz um ano, já pode ser vacinada contra a varicela, porém, somente na rede particular, já que na rede pública, esta vacina é disponibilizada a partir dos 15 meses de idade.

Outra dose que não há no SUS é a vacina contra a hepatite A. indicada aos 12 e 18 meses. Cada dose em Campo Grande custa em média R$ 130 com convênio.

A vacina contra o sarampo, caxumba e rubéola são exatamente iguais. Elas são ministradas aos 15 meses, quando praticamente termina o ciclo de vacinas.

 

Já aos 9 anos, na pré-adolescência, a vacina contra o câncer de colo de útero, HPV e condiloma está indicada aos meninos e meninas e na rede pública começou a ser fornecida somente para meninas de 11 a 13 anos

 



 

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