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Programa de Atenção acolhe mães de prematuros do Hospital Universitário

O objetivo é construir ações que garantam a prevenção, promoção e recuperação da saúde, por meio de discussões e pesquisas colaborativas

1 DEZ 2017
UFMS
18h29min
Foto: Divulgação/UFMS

O Programa de Atenção Multidisciplinar a Prematuros (PAMP) desenvolve, desde 2008, trabalho preventivo e de acolhimento psicológico às mães dos bebês que passam pela UTI Neonatal do Hospital Maria Aparecida Pedrossian.

O PAMP faz parte de um dos programas de estágio em Psicologia e Promoção da Saúde do Curso de Psicologia da Faculdade de Ciências Humanas da UFMS, sob a orientação da professora Alexandra Ayach Anache.

Desde o início do Programa de extensão foram atendidas mais de 1,6 mil mulheres. O objetivo é construir ações que garantam a prevenção, promoção e recuperação da saúde, por meio de discussões e pesquisas colaborativas na área da Psicologia da Saúde, Desenvolvimento Humano e Educação Especial.

Entre os trabalhos desenvolvidos pelo grupo multidisciplinar estão os atendimentos psicológicos, oficinoterapia dentro do Setor de Neonatologia do Hospital Universitário, atendimentos de follow-up no Ambulatório de Pediatria do HU; atendimentos e pesquisas com o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Intervenção Familiar (LEPIF) do Curso de Enfermagem/UFMS, em parceria com a professora Maria Angélica Marcheti; acompanhamento de famílias assistidas pelo projeto de extensão do Curso de Fisioterapia/UFMS, em parceria com a professora Daniele de Almeida Soares Marangoni; supervisão e estudos de referenciais teóricos com o grupo de estágio em Psicologia e Promoção da Saúde e participação em eventos.

“Todo o nosso trabalho é preventivo e já começa na UTI Neonatal. Os estagiários de Psicologia dão suporte psicológico às mães dos bebes, fazem um trabalho de estímulo a maternagem, ao vínculo das mães com os filhos recém-nascidos”, explica a professora Alexandra.

A maior dificuldade das mães é a falta de informação, segundo a coordenadora do PAMP e além disso, “temos um grave problema de saúde pública. Na gravidez, muitas mães vão a apenas duas consultas do exame pré-natal e assim se tornam mais vulneráveis”, expõe Alexandra.

Outro problema é o estabelecimento de vinculo com o bebê, porque muitas têm no imaginário que seus filhos irão a óbito, então, não conseguem se vincular a eles. “Muitas vezes elas apresentam também o medo de não conseguir cuidar bem do bebê, de não conseguir amamentar. Há outras situações mais comuns que são os de casos de depressão pós-parto. Nesses casos damos assistência maior ou fazemos encaminhamento para um atendimento mais específico.”

No trabalho preventivo, os estagiários passam nos leitos, estabelecem o diálogo com as mães, se colocam a disposição, acolhendo-as, orientando-as. “Precisamos fortalecer essa mulher para enfrentar a situação que ela está vivendo na ocasião do parto prematuro”, enfatiza Alexandra.

O grupo do PAMP também incentiva o Canguru, modalidade de assistência neonatal preconizada pela Norma Brasileira de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso.

“Incentivamos porque isso fortalece o vínculo, ajuda no processo de desenvolvimento psíquico da criança. Percebemos ganhos quando as mães aderem ao Canguru. A presença do psicólogo na UTI neonatal é fundamental, principalmente para fortalecer os cuidados que a família para cuidarem de seus filhos”.

Depois de deixarem a unidade Neonatal, mãe, pai/ou responsáveis pelos cuidados da criança continuam sendo acompanhados no ambulatório de Pediatria, durante as consultas médicas regulares, e quando a criança tem indicadores de atraso no desenvolvimento, por conta da prematuridade, é feito o trabalho de intervenção junto com a Fisioterapia e a Enfermagem. “A ideia é criar uma unidade integrada”, diz.

No trabalho de ambulatório, os estagiários que acompanham o desenvolvimento do bebê observam como estão os estímulos, verificam se estão bem psicologicamente no quesito cognitivo, na questão das habilidades sociais, ou seja, fazem uma avaliação longitudinal do bebê.

Todos os atendimentos desenvolvidos desde 2008 já geraram volume para trabalhos de conclusão de curso (TCC), dissertações de Mestrado, teses de Doutorado.

 Oficinoterapia

Imersas 24 horas na UTI Neonatal, as mães conseguem na Oficinoterapia um momento único para elas. Todas as quintas-feiras, das 14h às 16h, elas se reúnem com os estagiários de Psicologia para trabalhos manuais onde desenvolvem carta e cartões para os bebês, potes porta algodão, móbiles – que servem de estímulo visual para os bebês, porta carteira de vacinação, caixa de lazer para guardar jogos produzidos por elas mesmas, entre outros materiais que podem levar ao deixar o hospital.

A psicóloga do HU Patrícia Oliveira Borges acompanha os estagiários no setor Neonatal. “Com esse atendimento podemos trazer um pouco de lazer, bem estar, para que as mães se sintam fora do hospital. Isso diminui a angústia, porque não é fácil para elas estarem internadas com seus bebês. A Oficinoterapia é uma forma de cuidar das mães, as ajuda a se distraírem e se integrarem”, afirma Patrícia.

A Oficinoterapia acolhe mãezinhas da UTI Neonatal, Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais (UCIN) e Unidade Canguru.

Com dois meninos, Roberta Bastos da Silva teve agora a primeira menina, internada por ter nascido com lábios leporinos e hidrocefalia. Ela é uma das mais presentes aos encontros da Oficina.

“Essa oficina é muito boa para nos distrairmos um pouco, porque não temos nenhuma outra atividade diferente”, diz Roberta que está há um mês no hospital. Mãe de oito filhos, Roseli Gomes acompanha casal de gêmeos que nasceu prematuro. Ela aprova o apoio psicológico do grupo. “Ficamos 24 horas com os bebês, precisamos ter alguma coisa ocupacional, uma terapia para distrair um pouco.”

Na primeira maternidade, Vanuza de Araújo também foi surpreendida com a prematuridade de seu menino, nascido no princípio de outubro e que agora está na Unidade Canguru. “Aprendi muito aqui. Esse apoio foi importante”, expôs.

A acadêmica do 9º semestre Júlia Juliana afirma que a equipe de acadêmicos e profissionais cria vínculo com as mães. “Esse é um momento bem delicado, conseguimos conversar com elas, acalmá-las e nas oficinas procuramos fazer objetos que possam utilizar depois quando voltarem para casa com seus bebês”, diz.

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