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Sem UTI neonatal, gêmeas têm leito improvisado em maternidade de Campo Grande

Bolsa rompeu no domingo à tarde e plano demorou 36h para providenciar material para parto

11 JUL 2017
Liziane Berrocal
19h00min

A falta de leitos na UTI-NEO na Capital coloca em risco a vida das gêmeas Lorena e Valentina. Um longo desabafo postado pela família demonstra o desespero de todos diante do quadro. Grávida de 33 semanas de duas meninas, a gestante, que falou com TopMídiaNews e terá o nome preservado a pedido da família, teve rompimento de bolsa no domingo à tarde, porém, não pode fazer o parto, pois não há vagas na UTI-NEO na Maternidade Cândido Mariano, onde está internada.

“Minha irmã está grávida de 33 semanas - gestação gemelar. E entrou em trabalho de parto ontem, tendo uma das bolsas rompida por volta das 13hs, e até agora o seu parto não foi realizado por falta de VAGAS NA UTI-NEO, ou seja, um tremendo descaso com a população, uma Maternidade Referência em nosso Estado ter apenas 26 leitos de UTI em funcionamento que recebem cerca de 350 prematuros anualmente, ficar nessa situação pelo fato de a estrutura não suportar a demanda. É revoltante saber que não há vagas nem aqui nem em outros hospitais que possuem UTI-NEO, e o mais preocupante é saber que a fila de bebês aguardando UTI-NEO é extensa e saber que muitos deles estão recebendo apenas ventilação mecânica”, desabafou a irmã da mulher.

Ela usou o Facebook para contar o desespero da família, que buscou a Justiça. Segundo o pai das gêmeas, após muita luta, a Unimed providenciou o equipamento necessário para que as gêmeas pudessem nascer.

Porém, ainda não foi um leito de UTI-NEO. “Foi acionada a Unimed no domingo a noite. A pessoa foi super grossa dizendo que não poderia fazer a solicitação e sim a médica, já buscamos a defensoria. A Unimed ontem ficou a manhã inteira sem dar retorno e o parto dela estava marcado. A primeira bolsa estourou no domingo à tarde e num primeiro momento não queriam atender, depois queriam fazer cesariana e normal ao mesmo tempo”, contou a irmã sobre a situação.

Leito improvisado e bebê no oxigênio

Ela exalta que se não fosse a médica que atende a gestante, tudo poderia ter ficado mais grave. “Quando a médica dela chegou, que o atendimento foi feito da maneira certa. Há muitas crianças recebendo ventilação manual. É uma situação precária”, indignou-se.

“A minha irmã ficou tomando medicamento para segurar as bebês até arrumar os equipamentos e improvisaram a UTI. Só então o plano entrou em contato. O parto estava marcado para as 17h30 e atrasou mais uma vez. Forneceram até equipamento errado, ficaram protelando, protelando e só as 22h as bebês vieram ao mundo". 

Agora, as meninas estão sob observação e uma delas ainda permanece no oxigênio. "Uma das minhas filhas está entubada, estamos aguardando a evolução", contou o pai. 

Segundo a assessoria de imprensa do plano, realmente há uma defasagem na oferta de leitos de UTI Neonatal, não apenas em Mato Grosso do Sul, mas no País como um todo. A informação é que a paciente seria da Unimed Goiânia, ao ser acionado o serviço de regulação da Unimed buscou vagas em outros hospitais e como não haviam, alugou equipamentos para que fosse montada UTI provisória para o atendimento do caso.

“O parto se deu na noite de ontem, e tanto a mãe quanto as crianças estão sendo totalmente monitoradas e recebendo todo o atendimento médico necessário.”, garantiram. 

A reportagem entrou em contato com a maternidade, porém não foram enviadas respostas até o fechamento do texto. 

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