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Filho de Zico recorda época difícil no Fla: 'Tinha preconceito'

Thiago Coimbra, que jogou a Série D e a Copa Rio pelo Boavista, lembra passagem no Rubro-Negro e critica rótulos em cima de filhos de craques: ‘Preconceito ridículo’

10 OUT 2017
Globo Esporte
12h05min
Foto: Douglas Oliveira / Gama

Hoje aos 34 anos de anos de idade, Thiago Coimbra já não se sente mais intimidado com a pressão. Muito menos com as inúmeras comparações que lhe acompanharam por ser filho do maior ídolo da história do Flamengo: Zico.

A explicação é que a maturidade adquirida ao longo dos 34 anos tiraram das costas um peso carregado desde cedo e que prejudicou não só o seu início como jogador de futebol, como também interrompeu por quatro anos a sua trajetória como profissional.

- Foi uma junção de coisas que me fizeram parar. Obviamente teve uma pressão por conta da comparação com meu pai. Mas tinha muito preconceito no garoto que queria ser jogador, mas que tinha uma condição melhor. Eu não sentia isso em relação aos jogadores, porque eu sempre ia me ambientando fácil. Mas existia mais por parte dos técnicos, porque eles acham que quem é mais humilde precisa mais. Mas não tem isso. Cada um tem que entrar em campo e fazer o seu melhor. Tive esse problema por ser filho do Zico. Aconteceu muito isso no Flamengo - conta Thiago, que defendeu recentemente o Boavista-RJ.

Thiago Coimbra chegou ao Flamengo em 2006 após ter passado por Coritiba e Paulista. De imediato, sofreu com as comparações e a pressão na Gávea. No entanto, só acabou entrando em campo oficialmente uma vez - contra a Portuguesa-RJ, pelo Carioca - e pouco tempo depois deixou o clube na bronca com o técnico Ney Franco pela falta de oportunidades.

Rodou por diversas equipes, como Portimonense-POR, America-RJ, Madureira, mas decidiu pendurar oficialmente as chuteiras por quatro anos. O recomeço só foi acontecer no início da temporada, quando topou voltar aos gramados para defender o Gama-DF.

Para o segundo semestre, aceitou o convite do Boavista, clube da Região dos Lagos do Rio que treina no Centro de Treinamento do CFZ, na Zona Oeste do Rio, e que pertence justamente ao pai. Thiago conta, inclusive, o tamanho do apoio que recebeu de Zico para retornar aos gramados após tanto tempo parado.

- Eu sempre converso muito com o meu pai. Quando surgiu a oportunidade de voltar, ele me deu o maior apoio. Me disse para não me preocupar com a idade. Porque, na verdade, eu não senti nada o peso da idade, de correr atrás de garotos de 18, 19 anos. Só foi mais o ritmo de jogo, porque o jogo hoje está mais corrido, está muito mais competitivo, mais feio. Mas o meu pai sempre me deu apoio para encarar os desafios, sempre me apoiou. É um paizão mesmo - garante.

Pelo Boavista, Thiago Coimbra participou da Série D do Brasileiro, quando o clube acabou eliminado na segunda fase, e ainda foi titular, capitão e camisa 10 da equipe nas oitavas de final da Copa Rio, contra o Olaria. Após a classificação para as quartas de final, Thiago teve problemas particulares e acabou se desligando do clube antes do inédito título em cima do Americano no fim do mês de setembro.

- Eu senti uma energia diferente aqui no Boavista. Porque é um clube bem familiar, não tem pressão. Todo mundo te trata bem. É uma coisa bem bacana. É claro que eu já senti pressão. Sou flamenguista e, no Flamengo, eu fui camisa 10 na base e no profissional. Imagina? Hoje é natural, porque eu já tenho 34 anos, já sou calejado quanto a isso. Mas para mim hoje, é uma honra vestir a 10, a 16. O Boavista é muito bacana. Foi um prazer jogar - disse o meia.

Atualmente sem contrato, Thiago não esconde o desejo em permanecer no time de Saquarema para a disputa do Campeonato Carioca na próxima temporada. Conta, inclusive, que já não sonha mais em um retorno a um time grande no cenário nacional e prefere manter as atenções apenas nos objetivos mais próximos da realidade.

- É difícil. Para ser sincero, eu não almejo isso mais não, porque a idade chegou, é mais complicado. Aqui no Brasil essa questão de idade conta muito. Hoje eu prefiro jogar aqui no Boavista mesmo e depois, se aparecer alguma coisa de fora, aí é desfrutar.

A entrevista completa com Thiago Coimbra você confere abaixo:

Pressão e preconceito no Fla

- Foi uma junção de coisas que me fizeram parar (a carreira antes de voltar nesse ano). Obviamente teve uma pressão por conta do meu pai. Mas existe muito preconceito no garoto que quer ser jogador, mas tem uma condição melhor. Eu não sentia isso em relação aos jogadores, porque eu sempre ia me ambientando fácil. Mas existia mais por parte dos técnicos, porque eles acham que quem é mais humilde precisa mais. Mas não tem isso. Cada um tem que entrar em campo e fazer o seu melhor. Tive esse problema por ser filho do Zico. Aconteceu muito isso no Flamengo.

Crítica a rótulos

- Essa pressão (por ser filho de Zico) eu tive no America, Madureira... Mas em Portugal eu fui muito bem tratado. Lá não tinha pressão. Tive uma boa passagem pelo Portimonense. Aqui existe essa pressão. E é uma coisa mais interna. Eu nunca tive empresário, nada. Não sei como está a coisa hoje em dia. É a maior bobagem comparar você com o seu pai, que jogou muito, foi craque. Eu joguei com o Felipe Adão, que é filho do Cláudio Adão, que também sofria preconceito.

Você vê os filhos do Mazinho. Jogam pra caramba, mas tiveram que buscar oportunidade na Espanha, porque talvez aqui não teriam. Mas existe esse preconceito ridículo no Brasil. Mas você vê ai vários jogadores que também tiveram uma condição boa, mas que mostraram dentro de campo. Você você o Kaká aí. Isso não existe.

O retorno ao futebol

- Eu parei de jogar por quatro anos. Eu voltei a jogar já com 33 anos no Gama porque a minha intensão era que os meus filhos pudessem me ver jogando. Tenho um menino e uma menina. Eu fui para lá (Gama) e nem levei família, nada.

Tive uma passagem legal lá, mas acabamos eliminados nas quartas de final. As coisas acabaram não acontecendo. Pintou o convite do Thiago Alves (diretor do Boavista), que eu já conhecia. Ele fez um convite para o meu irmão, e eu avaliei. Aí eu peguei e fechamos para jogar a Série D e a Copa Rio.

Balanço positivo no Boavista

- Foi uma passagem muito bacana. Apesar do baixo investimento, que é diferente em relação ao Carioca, o Boavista tem jogadores experientes, que já passaram em time grande, como o Leandrão, o Júlio César. Um grupo legal.

A gente tinha tudo para ir longe na Série D, mas acabamos eliminados pelo Espírito Santo, que acabou eliminado pelo Operário-PR, que foi o campeão. Mas conseguimos terminar a Copa Rio de maneira brilhante. O título era o objetivo do presidente. Então, foi legal. Se eu não me engano, joguei cinco dos seis jogos na Série D.

Título da Copa Rio

- Na Copa Rio, tive o privilégio de ser capitão, de usar a camisa 10. Fui capitão contra o Olaria, mas tive que rescindir porque eu tinha um problema particular para resolver. Mas deixei as portas abertas, porque o respeito sempre foi mútuo de ambas as partes. Mas eu me sinto campeão, acompanhei os jogos contra Tigres e Americano. Me sinto importante, por ter sido capitão. Foi uma experiência muito bacana na minha passagem pelo Boavista.

Permanência para 2018?

- Sou muito grato ao Boavista. Deixei acordado com eles que eu poderia voltar se eu quisesse. Mas é claro que depende da avaliação do Eduardo Allax (técnico), um técnico que tem um futuro brilhante. Ainda não falei com o Thiago (diretor), mas, se houver o contato, vou aproveitar. Vai dar uma visibilidade bacana, poder jogar contra os grandes. Vamos esperar.

Volta a algum time grande?

- É difícil. Para ser sincero, eu não almejo isso mais, não, porque a idade chegou, é mais complicado. Aqui no Brasil essa questão de idade conta muito. Hoje eu prefiro jogar aqui no Boavista mesmo e depois, se aparecer alguma coisa de fora, aí é desfrutar.

Conselhos do "paizão" Zico

- Eu sempre converso muito com o meu pai. Eu trabalhava junto com ele nas escolinhas dele. Ele sabe que eu me cuido, que jogava as minhas peladas, que não eram com o propósito de voltar. Mas, quando surgiu a oportunidade de voltar, ele me deu maior apoio, me disse para não me preocupar com a idade.

Porque, na verdade, eu não senti nada o peso da idade, de correr atrás de garotos de 18, 19 anos. Só foi mais o ritmo de jogo, porque o jogo hoje está mais corrido, está muito mais competitivo, mais feio. Mas o meu pai sempre me deu apoio para encarar os desafios, sempre me apoiou. É um paizão mesmo.

 

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