(67) 99826-0686

Germaine de Randamie tieta Anderson e revela ser fã de música sertaneja

Adversária de Holly Holm na luta principal do UFC 208, holandesa canta trecho de 'Ai se eu te pego' durante 'Media Day' e declara: 'Já entrei com a música do Michel Teló'

9 FEV 2017
Globo Esporte
12h18min
Foto: Evelyn Rodrigues

O sorriso largo e a fala segura revelam que a responsabilidade de encabeçar pela primeira vez um card do Ultimate na carreira não abala sua confiança. Aos 32 anos, Germaine De Randamie (ou "Shimena de Randamíe", como ela explica que é a pronúncia de seu nome) fará a sua primeira disputa de cinturão neste sábado, contra Holly Holm na luta principal do UFC 208, no Brooklyn, em Nova York, que inaugura o título do peso-pena feminino na organização.

A holandesa, que tem um cartel de seis vitórias e três derrotas no MMA, é tricampeã mundial de kickboxing e, por conta do poder de nocaute e de sua dominância - já somou 37 vitórias seguidas no esporte - chegou a ser comparada a Anderson Silva, um de seus maiores ídolos nas artes marciais mistas e também escalado para esta edição.

- Acabei de tirar uma foto com ele! Que legal é isso! Sério, eu o vi e pedi: "Senhor, posso por favor tirar uma foto?" Quão doido é isso, vou lutar junto com o Anderson Silva! Sou uma grande fã dele! É uma honra (lutar no mesmo card que ele). Espero que eu possa ser tão boa lutadora quanto ele. Ser comparada a Anderson Silva...ele é uma lenda. Ele enfrentou todo mundo. Eu estou mais empolgada ainda por isso. Tive que tirar uma foto com ele, sou uma completa tiete pedindo foto para o Anderson Silva - declarou ao Combate.com durante o "Media Day" promovido pelo UFC, em Nova York, nesta quarta-feira.

A relação com o Brasil, no entanto, não para por aí. A "Mulher de Ferro", que já treinou com o brasileiro Leandro Vieira quando pertencia ao time da American Kickboxing Academy (AKA), na Califórnia, é fã de música sertaneja. Ela até arriscou cantar um pedaço da música "Ai se eu te pego" de Michel Teló (confira no vídeo acima).

Simpática, Germaine - que trabalha como policial - também falou sobre vários assuntos, incluindo o vídeo em que aparece nocauteando um homem em uma luta de boxe. Confira a entrevista na íntegra:

Qual foi a parte mais difícil da preparação para essa luta?

Não gosto de esperar. Se você me perguntar, prefiro fazer a primeira luta da noite. Mas tenho que me preparar para a espera (risos). Não há preparação mental. O árbitro sempre pergunta dentro do cage, "Você está pronta? Está pronta?" E eu sempre me pergunto, "Que tipo de pergunta é essa? Com pode perguntar se alguém está pronto?" Você nunca está pronto! Você apenas vai. Ele devia dizer apenas: "Lute!" Não penso nisso dessa forma, apenas tento abraçar isso e aproveitar, isso é incrível. Um ano, cinco anos, não sei quanto tempo depois, você olha para trás e vê uma foto, ou vê no Youtube, e pensa, "Eu fiz isso!" É um desperdício de energia pensar em outras coisas que não aproveitar o momento. Eu vou apenas aproveitar e vai haver um momento em que vou pensar, "Ah, o que eu decidi fazer? Realmente não gosto disso! Não devia fazer isso!" Mas no final das contas, eu aproveito mesmo, e o que importa é se divertir.

Sente muita pressão por fazer a primeira luta principal do UFC e por disputar o primeiro cinturão da organização na carreira?

Na minha primeira luta no UFC, eu era a primeira luta da noite, e agora estou na luta principal, quão doido é isso? Não penso nisso, de verdade. Não sei por que não penso nisso. Fazer a primeira luta ou a última luta não me importa. O que importa no final é fazer uma luta incrível, fazer a melhor performance da sua vida, aproveitá-la e abraçá-la. Não importa qual luta for, só quero entreter os fãs e fazer uma grande luta, e na próxima vez que virem meu nome, ou qualquer mídia anunciar minha luta, eles pensem, "Quero vê-la lutar! Aquela foi uma grande luta!" E aí, não importa qual luta você vai fazer, a primeira, a última, a segunda ou a terceira.

Como avalia a Holly Holm?

Nunca enfrentei ninguém como a Holly, e ela nunca enfrentou ninguém como eu. Não dá para comparar ninguém, somos todos diferentes e únicos de nossas formas. Acredito que Holly é única de sua forma. Nunca enfrentei ninguém como Holly, mas sábado enfrentarei.

Você e a Holly vão duelar pelo cinturão inaugural do peso-pena feminino mas muita gente ainda acha que enquanto a vencedora não enfrentar a Cris Cyborg não será a legítima campeã. Te incomoda esse tipo de postura?

Não, eu entendo (as perguntas sobre Cyborg). Mas, no fim do dia, sou eu contra a Holly neste fim de semana, não é a Cris contra mim, não é a Holly contra a Cris, é a Holly e eu lutando, não a Cris. É o que é, sinto muito!

Como se preparar mentalmente pra esse duelo?

Muita coisa passa pela minha mente, mas ao mesmo tempo, estou aproveitando todos os momentos. Teve um ponto da minha carreira que eu não curtia mais, e os resultados mostraram isso, eu não curtia mais lutar. Mas me cerquei de ótimas pessoas, que acreditam em mim, me apoiam, e isso ficou visível nas minhas últimas duas lutas. Os resultados falam por si próprios. Gosto do que estou fazendo e finalmente posso dizer que sou uma lutadora de MMA. As pessoas estão falando que é luta em pé, mas não, somos duas lutadoras de MMA que vão fazer uma luta de MMA no sábado.

Vazou na internet um vídeo em que você aparece nocauteando um homem numa luta de boxe. Como foi isso?

Ele tinha três lutas profissionais (de boxe), estava trabalhando na TV e sempre quis lutar com uma campeã. Eles me convidaram. Ele era 18kg mais pesado que eu, e realmente tentou arrancar minha cabeça. Tomei um bom soco antes de nocauteá-lo, e lembro que pensei, "Podia ter mantido minha mão alta". Mas sim, eu o nocauteei. É o que é (risos).

Qual desafio é maior? Nocautear um homem numa luta de boxe ou enfrentar a Holly?

Não, é totalmente diferente enfrentar um homem do que enfrentar Holly. Todo indivíduo é único. Foi um desafio legal, foi divertido fazê-lo. Eu faria de novo? Não, não, não. Eu fiz, foi legal, mas eu provavelmente não faria de novo.

 

Veja também