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Pai de Medina mira a Austrália pelo bi: 'Não ficamos satisfeitos com 3º lugar'

Charles Saldanha fala sobre temporada de 2017, vê Gabriel mais focado, espera bom começo na perna australiana e torce por título no Havaí: 'Quem trabalha tem sorte'

15 FEV 2017
Globo Esporte
11h42min
Foto: ASP/ Kirstin Scholtz

Charles Saldanha é um dos principais alicerces da família Medina. Ele foi o primeiro a perceber o potencial de Gabriel para se tornar campeão mundial, ajudou a moldar o atleta como treinador e pai desde os oito anos de idade. Ao lado do surfista, o paulistano de Vila Nova Conceição que trocou a cidade pela praia de Maresias aos 18 anos pelo amor ao surfe fez um trabalho árduo, incentivando o filho de criação e acompanhando-o em todas as etapas, sendo um grandes responsáveis pela revolução de Medina no esporte. Viu Gabriel Medina tornar-se o primeiro do país a conquistar o título histórico, em 2014, mas não ficou satisfeito com o terceiro lugar em 2015 e 2016. Para a temporada de 2017, nada mais interessa a não ser o bicampeonato mundial.

- Viemos de um título mundial recente, em 2014, onde o Gabriel se superou e se dedicou ao máximo. Como ganhar um título mundial? A gente já sabe. Veio 2015, a gente tentou manter o foco, mas não conseguimos ser 100% focados e tentar o bi mundial. Em 2016 também, brigamos pelo título, mas, novamente não conseguimos. Não ficamos satisfeitos com o terceiro lugar. Para a gente, o que interessa é sempre o primeiro lugar, é ser campeão, e o Gabriel tem qualidade para isso. Nos últimos dois anos, apesar de ele ter brigado pelo título, nós não ficamos felizes, mas vamos vir agora esse ano com tudo. Estamos tentando modificar algumas coisas para o Gabriel chegar na Austrália ainda mais forte. Forte como em 2014. E trabalha duro. O segredo é trabalhar: é o Gabriel treinar mais, focar mais e ser inteligente. É isso que vamos fazer em 2017, trabalhar duro, com inteligência - disse Charles em uma entrevista para o Instituto Medina.

Em busca de um bom início, o técnico diz que o segredo é trabalhar sempre mais, não importa se o surfista é considerado o melhor do mundo. O resultado será uma consequência. Charles vê a perna australiana como fundamental na corrida pelo título e espera um começo como o de 2014. No fim de 2013, após a última etapa do circuito, em Pipeline, no Havaí, Gabriel fraturou a fíbula da perna direita em uma sessão de "free surf" em "Off The Wall", ao lado do palanque do campeonato, e ficou um mês fora de combate, mas iniciou trabalho intensivo de recuperação e voltou a competir no dia 1º de março de 2014, às vésperas da etapa de abertura. A primeira de 11 paradas do Circuito Mundial de 2017, na Gold Coast, será entre 14 e 25 de março.

- Em 2014, o Gabriel começou bem, começou ganhando a primeira etapa, saindo da Austrália entre os primeiros. É isso que a gente espera. Ir para a Austrália e sair em primeiro. São as etapas mais duras para o Gabriel, as mais difíceis para ele. E também é começo de ano, não é fácil entrar no ritmo porque a gente trabalha para o Gabriel estar bem o ano inteiro, não só nestas três etapas. É super importante ele ter uma largada boa, porque o resto do ano é onda boa para o Gabriel, onda que ele gosta. Vem Fiji, depois Taiti, França... Dando uma boa largada, o Gabriel ganha confiança. E quando chegar nessas ondas, eu tenho certeza que ele vai trazer bons resultados. A nossa meta é chegar na etapa final em primeiro e ser campeão de novo - analisou.

Em Snapper Rocks, na "Goldy", Gabriel passou por Mick Fanning nas quartas de final, Taj Burrow, na semifinal, e Joel Parkinson na final e sagrou-se campeão, em um início de temporada irretocável - depois, viriam as vitórias em Fiji e no Taiti, e o vice no North Shorte da ilha havaiana de Oahu, que rendeu ao fenômeno primeiro título mundial para o Brail. O paulista de São Sebastião foi o primeiro brasileiro a ser campeão e apenas o segundo "goofy" (surfa com o pé direito na frente) do mundo a vencer nas famosas direitas, surfando de "backside" (de costas para onda). Desde 2002, só dois não australianos levaram a melhor em Gold Coast: Medina (2014) e o americano Kelly Slater, campeão em 2006, 2008, 2011 e 2013.

Para Charles, há uma série de fatores para formar um campeão mundial, como a preparação física, técnica e psicológica. Segundo ele, quem trabalha tem sorte. O pai vê o filho mais maduro e focado para a temporada, e a esperança do bi é grande.

- A gente começa o nosso treinamento em fevereiro, depois a gente faz uma viagem de pré-temporada, e tenta melhorar sempre. Não importa se o Gabriel é o melhor do mundo, a gente tem sempre que tentar melhorar. Depois, voltamos, ele acaba o trabalho físico e vamos finalmente opara a Austrália. Vamos trabalhar mais duro neste ano, e a janela possibilita maior tempo de trabalho. Quem trabalha tem sorte. A sorte é assim - contou Charles.

Uma das etapas mais cobiçadas é Bells Beach, um desafio para Gabriel. O treinador espera bons resultados nas ondas do Pacífico, em lugares como Fiji, Taiti e Havaí, assim como na França, e torce para que o filho leve o bicampeonato mundial no Pipeline Masters, segundo ele, o lugar ideal para o encerramento da temporada, na meca do surfe.

- O Gabriel costuma ter bons resultados nas etapas de onda forte, do Pacífico. O Gabriel se adapta muito bem a estas odas e todo o ano vem bons resultados. Ele também se adapta muito bem à França, e isto conta no final (da temporada), para chegar em Pipeline brigando pelo título. Ele é um dos melhores surfistas em Pipeline, ele não só surfa, como doma a onda. É uma característica dele, ainda mais se ele tiver essa chance de ganhar um título mundial lá, eu tenho certeza que ele vai dar o seu melhor e conseguir um bom resultado. O Gabriel conseguiu dois vices (2014 e 2015), era favorito. Ganhar um título ali seria maravilhoso. É uma onda que encaixa certinho com o estilo dele, e a gente agradece a WSL por terminar o campeonato no Havaí.

 

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